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O close dessa semanas está vindo certíssimo com nossas resenhas dos principais álbuns recém lançados! Ouvimos desde o tombamento da Mc Carol até o pop ultra doce do Kero Kero Bonito. Confira:

BANDIDA – MC CAROL

8,5 - CLOSE CERTO

                    8,5 – CLOSE CERTO

A primeira vez que ouvi MC Carol, há alguns anos, estava com amigos e sua música foi tratada com um certo deboche pelo grupo. Era a famosa “Vou Largar de Barriga”. O dueto, onde claramente Carol era o destaque, ficou bastante tempo na minha cabeça. Aquela voz grave, as letras descompromissadas sobre um assunto tão sério como a gravidez precoce das jovens moradoras de comunidades, e mais uma vez aquela voz tão diferente me marcaram, mesmo que no início sem levá-la a sério.

Ainda assim, acompanhei a carreira dela, pois cada novo lançamento me fazia ficar mais fascinado pela artista. MC Carol é negra, acima do peso, moradora de favela, e de início se apresentava tímida e contida, apesar das letras explícitas de suas músicas. A figura me fascinava por ser a antítese de tudo que poderia ser considerado “certo” dentro de uma sociedade hipócrita, classista e machista como a nossa.

Aos poucos, com a fama pelo seu estilo único de fazer música, Carol pôde sair do seu ambiente e ter contato com outros produtores, outras mulheres e outros tipos de visão de mundo. E como isso fez bem para ela, aparentemente para seu próprio crescimento pessoal, mas com certeza para sua carreira!

Seu primeiro álbum oficial, Bandida (um dos nomes que a acompanha desde o início da carreira) é a prova viva disso. A produção, comandada pelo grupo Heavy Baile é impecável. Uma das grandes façanhas do registro inclusive é como Carol conseguiu não perder sua essência diante de melhores técnicas de produção. Batidas pesadas, prontas para qualquer baile fazem com que o ouvinte mais avesso ao funk carioca fique animado, principalmente pelo som mais bem trabalhado.

Porém, o que realmente diferencia Bandida é a própria. Centro de todo o álbum, como um furacão Carol domina com seu timbre e com sua presença cheia de marra e a sua força única, de quem já viveu em situações precárias como ela. Apesar do início lento da nova versão remixada de “Não Foi Cabral”, que em minha opinião tirou um pouco a autenticidade da música e não funciona como abertura da obra, toda a essência do que é o atual funk carioca aparece em 9 faixas, sendo 8 delas (depois da primeira) brilhantes.

A antiga Carol, divertida, debochada, confiante e cheia de sexualidade, que fala o que quer e o que presencia no morro aparece em faixas como a deliciosa “Prazer, Amante do Seu Marido”, na divertida “Propaganda Enganosa”, ou na nova roupagem da já famosa “Jorginho Me Empresta a 12”, todas com letras geniais. Mas a grande novidade é a MC Carol consciente, e as duas melhores faixas do disco, “100% Feminista” (uma das melhores músicas do ano) com participação da Karol Conká e “Delação Premiada”, que pelos seus títulos já mostram de forma explícita a evolução da Bandida em sua vida e na sua arte.

Eu tenho muito orgulho de escrever essa resenha, porque até Carol entrar nos meus ouvidos anos atrás, não levava o funk e vários outros estilos musicais a sério por preconceito e falta de identificação com a realidade social de onde esses gêneros vieram. Graças a ela, sou abertamente fã de muitas coisas hoje às quais eu me prendia antes pelos motivos acima listados.

O álbum até poderia ser apenas mais uma coleção de funks, que eu provavelmente já gostaria. Mas a genialidade de Carol é absurda, e ultrapassa gêneros musicais, o que faz de Bandida um clássico da cena do funk carioca e um dos melhores registros de música brasileira do ano. – Guilherme Montassier

 

BONITO GENERATION – KERO KERO BONITO

7,8

                                     7,8

O álbum de estréia da banda britânica de pop eletrônico Kero Kero Bonito é uma jornada divertida e criativa do início ao fim. Em “Waking Up”, faixa que abre o álbum, Sarah Midori (ou Sarah Bonito) convida:  “Let’s go on a Kero Kero journey”, e basicamente o que acontece depois disso é uma experiência maluca que abusa do kitsch, kawaii e do j-pop pra se tornar memorável. E isso não é, de forma alguma, algo ruim.

A banda consegue, ao longo do álbum, manter um ritmo alegre em suas músicas, com trechos muito muito bem humorados e peculiares, como os versos em japonês que entram sem ser anunciados e agregam muito valor à produção excelente do álbum. Diálogos como os da faixa “Heard a Song” são encaixados na melodia de algumas faixas sem que pareçam deslocados e existe a sensação de que você pode ouvir de tudo em Bonito Generation. O pop eletrônico é moderno e ao mesmo tempo nostálgico, cada música podendo ser uma fase do jogo Dance Dance Revolution.

Apesar do carisma da vocalista, o álbum não se apoia nos seus vocais, mas sim na produção bem direcionada e as letras simples, mas caprichosas da obra. É importante notarmos que apesar de sua sonoridade feliz e, por assim dizer, mainstreamBonito Generation é um álbum para os desajustados e inadequados. Desde a abertura, onde nossa narradora se recusa a acordar e encarar o mundo real, passando pela frustração de se formar na faculdade em “Graduation” e a busca por emprego em “Try Me”, o álbum fala, de forma divertida, sobre não se encaixar nas expectativas sociais e profissionais que incidem sobre a mente dos jovens.

Não se enganem, não se trata de um álbum intenso ou de uma análise crítica da sociedade. Ainda assim, é um belo desabafo feito de forma original e cativante, que acaba entregando muitos momentos de destaque. A ótima “Trampoline”, com seus sintetizadores e batidas sintéticasonde a banda convida “jump, jump, trampoline, fly to where you want to be”, é o resumo perfeito do lugar aonde a banda deseja ir com Bonito Generation em termos de sonoridade e atmosfera. – Victor Thadeu Coelho

 

FORTE – BRUNO SOUTO

8,2 - CLOSE CERTO

                   8,2 – CLOSE CERTO

Bruno Souto é encantador. O artista pernambucano, agora em seu segundo álbum solo (antigo integrante da banda Volver), traz para o público uma irreverente mistura de pop, com R&B, de uma forma bem despretensiosa e que poderia ser ouvido em qualquer rádio musical Brasil afora.

Provavelmente isso não vai acontecer, mas não se surpreenda se uma música de Souto cair em uma novela, ou nas graças do público através das redes sociais. O que fazem as 9 faixas de Forte serem memoráveis é a autenticidade e a entrega naturais do artista. Sem muito esforço, colocando uma pitada do coração nordestino no meio, o que poderia ser mais álbum de pop/rock genérico se tornou um dos melhores álbuns da MPB que eu ouvi esse ano.

O som é lindo, com vários instrumentos ajudando a construção das canções, com guitarras, sax, sintetizadores e bateria sempre em muita harmonia e coesão, de forma calma e cristalina como uma piscina no verão. Aliás, a levada do disco é bem essa. Forte é uma excelente pedida para um relaxante fim de tarde ensolarado.

As letras tem forte inspiração tanto em um pop oitentista como no cancioneiro popular nordestino, o que traz uma palheta de palavras para ilustrar o repertório ultra-romântico do músico. Seja no destaque “Amor Demais” (“É amor mais não dá mais/ Não dá mais porque é amor demais” é o verso que mais se destaca na obra), na incrível abertura da faixa-título, ou em “O Que Resta”, o amor é encarado de forma crua, tanto nos seus picos bons como nos ruins.

Forte é a prova de que mesmo uma ideia musical simples pode ser muito marcante, se feita com alma. Pop brasileiro de qualidade não é sempre valorizado como se deveria por ser tratado como ruim ou pobre perto do internacional, mas com esse disco Bruno Souto monta um bom caso para quem acredita no contrário. – Guilherme Montassier

 

GRAND CHIEN – BARBAGALLO

7,0

                                   7,0

Barbagallo é o projeto musical do baterista francês do Tame Impala e Aquaserge, Julien Barbagallo. Grand Chien é o segundo álbum dele, que faz um estilo ambient pop com muitos elementos de folk, momentos de psicodelia e muitas melodias doces, harmonias simples e sensíveis, bem chanson française romântica.

Falando em chanson française, o álbum é totalmente e exclusivamente em francês (aviso logo). Aviso também que isso é intencional, já que o Barbagallo faz parte de um movimento recente no cenário do pop francês de reviver a francofonia na música do país.

A França passou muitos anos lançando bandas que cantavam em inglês, deslumbradas com o rock anglo-saxônico e a possibilidade de um “sucesso internacional” similar. Além disso, muitos artistas eram frustrados com o formalismo e rigor da própria língua e cultura musical local (lembrou algum outro país que vocês conhecem que já reclamou de guitarra elétrica??).

Hoje em dia a coisa mudou e cantar em inglês lá é cafona pra muita gente. É você deixar de apreciar o valor da sua cultura local, da sua criatividade pessoal, em prol de um desejo de sucesso internacional nos moldes norte-americanos.

Mas o mais importante mesmo, gente, é que esse álbum é pra olhar no olho do crush. Seja com a valsa psicodélica de “Mungibeddu“, dançando timidamente com a bateria eletrônica estilo “Take on Me” do A-Ha em “Moitié de Moi“, sentindo todo aquele romance no violão de “L’Ami me Dit“, desapegando do crush logo em seguida com “Oubliez-Moi” (vulgo: me esquece!). Enfim, o negócio é romântico mesmo (até um pouco demais?).

Ah, e se quiser sofrer de saudade do Tame Impala também pode com as guitarras de “Longue La Nuit“, só não espera muita experimentação ou algo fora do manual folk pop suave. Como em todo romance, melhor não esperar mais do que podem te dar, não é mesmo? – Denyse Mathiessen

Por essa semana é só. Deixem um comentário sobre o que vocês acharam, e que vocês tenham uma semana cheia de closes certos!

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