Os Entendidos

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Debater a diversidade com bom humor.

31 de Março de 2017, 19h00

Presença do Machista

Já faz algum tempo que as mulheres utilizam os meios virtuais de comunicação como um aparato para denunciar as violências sofridas. Em textos, artigos e redes sociais, nós podemos ler os mais diversos relatos sobre violência contra a mulher. E na manhã de hoje, uma mulher publicou o relato de várias agressões sofridas por ela […]

Já faz algum tempo que as mulheres utilizam os meios virtuais de comunicação como um aparato para denunciar as violências sofridas. Em textos, artigos e redes sociais, nós podemos ler os mais diversos relatos sobre violência contra a mulher. E na manhã de hoje, uma mulher publicou o relato de várias agressões sofridas por ela em um jornal. O agressor em questão é um ator global.

A mulher é Susllem Meneguzzi Tonani, figurinista de 28 anos que há cinco veio para o Rio de Janeiro a fim de se estabelecer em sua profissão. Ela relata que foi assediada pela primeira vez há 8 meses e, desde então, as violências se tornaram constantes. Susllem conta também que os “elogios” se converteram em algo constrangedor e violento em muito pouco tempo. Dentro do camarim da empresa e perto de outras duas mulheres – que encararam o fato como piada -, ele chegou a tocar em sua genitália. Em um set de filmagem com 30 pessoas, estávamos, entre elas, ele e Susllem. Ele, prestes a dizer seu texto, ameaçou tocá-la novamente se ela continuasse a ignorá-lo. E por não silenciar-se diante da ameaça, o ator a chamou de “VACA” em alto e bom som.

Susllem resolveu​ procurar amparo legal e a empresa reconheceu a gravidade do problema, prometendo que tomaria as medidas necessárias. Como qualquer mulher, ela tem medo do que pode acontecer com sua integridade e reputação, pois é possível que as pessoas a classifiquem como oportunista. Ela ainda questiona qual tipo de medida será tomada e que punição ele irá sofrer.

São imensas as violações sofridas por essa mulher, mesmo com o medo de mais sanções, ela tomou a decisão de denunciar. Essas violências começam lentamente e pioram de forma gradual. A ideia é oprimir até que a mulher se sinta tão pequena a ponto de fugir ou de esperar calada por violências piores.

Não bastassem​ todas essas​ formas de opressão, Susllem ainda teve que ver ser apagado o artigo onde descreveu, com força e coragem, todos os seus momentos de terror. O veículo em questão alegou que o texto foi retirado do ar por ferir o princípio de seu editorial. A mesma mídia que veicula notícias tendenciosas e incansavelmente parciais a fim de manipular a informação e o leitor. O texto estará de volta ao ar assim que a parte acusada for ouvida e puder contar a história de triste de como foi injustamente acusado por uma oportunista. Não há dúvidas de que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco.

O Estado, a sociedade, o executivo, o legislativo e o judiciário: não há trégua com as mulheres. Não há quem nos dê a voz que merecemos, não há quem nos apoie ainda que façamos um escândalo além de nós mesmas. E nós faremos um escândalo. Juntas.

Deixem a Susllem falar!