Com inclusão de música em abertura de novela, Magal volta ao sucesso em 1990, após hiato de três anos. Desde o lançamento do disco Mãos Dadas (Somlivre/1987) que Sidney Magal havia desaparecido das paradas de sucesso. Liberado pela gravadora sem um hit retumbante tal como Sandra Rosa Madalena ou O meu sangue ferve por você, o futuro artístico parecia incerto e sem perspectiva. O público pareceu se esquecer do furor causado pelo amante latino e Magal não se encaixava com o som que tocava na época. A onda disco já havia passado, as bandas de rock levavam vantagem e o estilo latino que o popularizou perdeu espaço. Nem mesmo a rainha do rebolado, Gretchen, conseguia emplacar. Foram três anos de escanteio, até que um novo estilo musical o trouxe de volta aos pés do povo.

A lambada
Após o desembarque do axé trazido por Luiz Caldas, Sarajane e Chiclete com Banana, foi a vez da lambada conquistar as pistas de dança de todo o país, já apresentada no carnaval baiano. Trazendo influências do carimbó, do zouk, da cumbia e do merengue, pouco a pouco o estilo foi adotado por grandes nomes da música popular,como Fafá de Belém e Elba Ramalho. Dois obtiveram maior destaque no gênero: o paraense Beto Barbosa e a banda Kaoma com a vocalista Loalwa Braz (1953-2017) através da música Lambada (Chorando se foi), considerado um marco com reconhecimento internacional. Foi neste momento que Sidney Magal encontrou a oportunidade de voltar à cena com um ritmo não tão diferente de quando começou sua carreira fonográfica. Se Beto Barbosa foi coroado rei, Magal, com o repertório certo, poderia ser o seu concorrente. E assim foi.
O disco 
O projeto feito pelos produtores Max Pierre e Alberto Traiger (este já conhecido por empresariar as carreiras de Tom Jobim, Ivan Lins e Rosana) visava pegar carona no bate-coxa que sacudia multidões, uma vez que a lambada alavancava as cifras das gravadoras. O repertório estava de ponta: sucessos revisitados de Rita Lee (Lança-Perfume), Banda Beijo (Beijo na boca), Chiclete com Banana (Meia-lua inteira, de Carlinhos Brown), Luiz Caldas (Haja amor) e as inéditas Morena Bonita (Dido Oliveira), Eloísa (Renato Terra/Claudio Rabello) e “Brilho cor de prata” de Michael Sullivan e Paulo Massadas, incluída na trilha do filme “Inspetor Faustão e o Mallandro”, receberam arranjos suados de Ary Sperling, feitos sob medida para sacolejos frenéticos. Uma em especial foi levada por Max Pierre aos dirigentes da Rede Globo para ser escolhida para ingressar a trilha sonora da novela Rainha da Sucata, do autor Silvio de Abreu, que iria ao ar no dia 2 de Abril de 1990 em horário nobre. Escrita por Torcuato Mariano e Cláudio Rabello, Me chama que eu vou recebeu o aval de Sergio Motta para ser tema de abertura, criada por Hans Donner, em ótimo momento de sua criatividade:  Deu vida a objetos de sucata para se transformarem em uma rebolativa boneca. Um golaço!
 Popular outra vez
O disco que estava programado para ser lançado de forma independente atraiu a atenção da CBS (atual Sony Music) para obter o passe de Sidney Magal. Melhor momento, impossível. Durante o tempo em que a novela esteve no ar, tanto o segmento musical como o cantor deitaram e rolaram nas programações das FM’s e da televisão, chegando a gravar o tema em espanhol, especialmente para o mercado latino com adaptação feita por Karen Guindi. Com gás, a Somlivre soltou uma trilha complementar chamada Lambateria Sucata e Magal novamente estava lá figurando entre outros artistas com Beijo na boca.
Em 1991, o prêmio Sharp, considerado o Grammy da música brasileira indicou Ary Sperling como melhor arranjador e na categoria Canção Popular, Me chama que eu vou, estava entre as favoritas. Ainda deu tempo de fazer um belo espetáculo no Canecão (Rio de Janeiro) com direção e roteiro de Jorge Fernando, com coreografia de Carlinhos de Jesus. O vídeo foi captado e exibido em um especial da TVE.
Com muita sorte, Sidney Magal conseguiu sobreviver e fugir de um provável ostracismo, atravessando os anos 90 com folga. E graças à música de Torcuato Mariano e  Cláudio Rabello novos chamados surgiram e ele foi indo, mantendo o status de ídolo por mais duas décadas.
Para ouvir no Spotify:
https://open.spotify.com/album/05TNbUCzit77sIv1iy4s5I

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