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28 de janeiro de 2019, 23h48

Primeiro e único disco solo do músico Robson Jorge é reeditado no mercado europeu

Voltou em janeiro deste ano através do selo Mad About Records, sediado em Portugal, o primeiro álbum solo do músico carioca Robson Jorge (1954 – 1992).  Reeditado em vinil para o mercado europeu com tiragem limitada de 500 cópias, o disco revela o momento em que a música brasileira ficou mais soul , eclodido com […]

Voltou em janeiro deste ano através do selo Mad About Records, sediado em Portugal, o primeiro álbum solo do músico carioca Robson Jorge (1954 – 1992).  Reeditado em vinil para o mercado europeu com tiragem limitada de 500 cópias, o disco revela o momento em que a música brasileira ficou mais soul , eclodido com o movimento Black Rio.

 

 

Lançado originalmente em 1977 pela Discos CBS (atual Sony Music), o crescente interesse dos DJ’s e pesquisadores pela obra do músico feita em dupla com Lincoln Olivetti (1954-2015), considerado o Mago do Pop por trazer brilho e sonoridade internacional à música feita no país nas décadas de 80 e 90, propiciou a busca pelo álbum, cada vez mais raro em lojas especializadas. É inclusive a primeira reedição oficial em formato físico, ainda não disponibilizado nos serviços de streaming, apesar de ser fácil localizar através de links do Youtube o disco para audição.

A história

Nascido no Rio de Janeiro, Robson começou sua carreira acompanhando a banda do cantor Genival Cassiano tocando contrabaixo, chegando a participar das gravações do disco “Apresentamos Nosso Cassiano” (Odeon/1973).  Em 1976 iniciou seu contato com o organista Lafayette Coelho, conhecido por formatar o som da Jovem Guarda e com Lincoln, jovem promissor que já assinava arranjos para artistas como Rosemary e Adriana na gravadora Continental. Foi por intermédio dos produtores Jairo Pires e Tony Bizarro que Robson pôde gravar o seu primeiro compacto simples na CBS com as faixas “Tudo bem” (que teve direito a vídeo clipe com a sex symbol Adele Fátima como figurante) e “Preciso dizer que te amo”.  Ambas foram escolhidas para ingressar na trilha sonora da novela Tchan, A Grande Sacada do autor Marcos Rey, exibida em horário nobre na extinta Rede Tupi.

Com a boa receptividade do público, a CBS decidiu lançar mais um compacto duplo com mais duas faixas: “Viver depois” e “Procure amar”.  Só em 1977 saiu, enfim, o longplay com dez faixas, gravado com toda a pompa no estúdio Haway, localizado no centro do Rio. Assinando os arranjos com Lincoln, esta parceria renderia ainda naquele ano hits radiofônicos na voz de uma cantora nova, que assim como Robson, começou sua carreira fazendo voz de apoio nos discos da Fafá de Belém e dos Motokas: Claudia Telles. Além de um exímio guitarrista, Robson era um bom compositor de baladas: “Eu preciso te esquecer” e “Fim de tarde” (já regravada pelo Fat Family em 2001 além de “Amei você” em 1998) ambas escritas com Mauro Motta são sucessos que permanecem em rotação nas FM’s. Uma outra faixa do disco de Robson Jorge, “Sorriso falso”já resgatada por outros intérpretes como Márcia Maria e Pedro Mariano é até hoje a favorita entre seus ouvintes.

O legado

Título incensado pelas referências da disco music e do funk, Robson se mostrou peça proeminente do soul brasileiro junto a artistas como Tim Maia, Tony Bizarro e do próprio Cassiano, pelos improvisos vocais apresentados no decorrer das canções. Poderia prosseguir carreira como solista, mas ao assumir trabalho como dupla ao lado de Lincoln Olivetti, acabou sendo eclipsado para voltar ao posto de músico de apoio, mesmo com tanta competência.

 

Texto escrito em colaboração com Jean Landim.