06 de agosto de 2014, 12h06

“País não pode ficar atrelado aos fracassos do Mercosul”, diz Eduardo Campos

Primeiro presidenciável a participar de evento promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o candidato do PSB defendeu a necessidade de “uma política comercial ativa, com a capacidade de buscar mercados”

Por Redação

Primeiro presidenciável a participar, nesta quarta-feira (6), do evento promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com os principais candidatos à presidência, o pessebista Eduardo Campos repetiu o padrão de seu discurso, que prega uma “renovação política” com ataques ao presidencialismo de coalizão, e teceu diversas críticas ao governo Dilma em relação à sua atuação na área da agricultura.

Na abertura de sua fala, o candidato defendeu uma “nova governança para um novo modelo de gestão”. “O padrão político brasileiro esclerosou, é um software que não roda as novas demandas da sociedade brasileira”, criticou. Em seguida, defendeu que se faça uma leitura do que o agronegócio atingiu nos últimos 40 anos (uma forma de fazer alusão a seu número) “sem preconceitos, sem ranços”, elogiando em seguida o setor. “O agronegócio fez uma aliança estratégica com o conhecimento, olhou o mundo e ficou mais global do que outros setores tinham a possibilidade de fazê-lo”, discursou, arrancando aplausos da plateia.

“O modelo de gestão do novo Estado brasileiro vai exigir um novo padrão de governança”, disse. “O presidente vai assumir pessoalmente a liderança dos assuntos estratégicos, tanto da agricultura familiar, como do agronegócio brasileiro”, prometeu, afirmando que vai “tirar o ministério da Agricultura do balcão político dos partidos e das lideranças e colocá-lo na mão da competência de quem possa inspirar um diálogo responsável, maduro, à altura das transformações que precisamos fazer”.

Entre os entraves que considera existir na área agropecuária, Campos fez menção à questão do sistema de crédito e de seguros no campo. “Crédito mal aplicado, sem seguro, mata quem produz, o competente, que arrisca, e o Brasil tem um sistema de seguro que chega para as catástrofes mas não para a renda”, sustentou. Também destacou o papel da política externa, dizendo que o país não pode ficar “atrelado aos fracassos do Mercosul”. “É preciso assumir de forma clara com quem produz e exporta a necessidade de termos uma política comercial ativa, com a capacidade de buscar mercados”.

Unidade e divisão

Na sessão de perguntas, formuladas pela própria CNA, Campos respondeu a uma questão sobre a atuação do Ministério do Trabalho que, de acordo com a entidade, “parece ser território exclusivo de um partido político, não tem se mostrado uma instituição imparcial”. Para a Confederação, “a ação do ministério tem sido uma fonte permanente de insegurança, o mesmo aconteceu com o ministério do Meio Ambiente, que foi capturado pelo radicalismo ambiental”, entendido como uma referência velada à gestão da vice de Campos, Marina Silva.

O pessebista afirmou que o ministério “deixará de fazer parte de uma distribuição política”. Sobre a pasta do Meio Ambiente, ressaltou que se trata de uma construção recente, criada no governo Collor por conta da Eco-92, e elogiou a gestão de sua vice. “[Marina Silva] Levou o país a liderar o debate ambiental nos fóruns internacionais e fez um diálogo importante do qual hoje se ressentem muitos setores.”

Em suas considerações finais, voltou a críticar o governo Dilma, fazendo uma digressão desde a gestão de Itamar Franco e dizendo que, desde então, os presidente sempre deixaram seus mandatos com um país melhor do que à época que haviam assumido. “É a primeira vez que na redemocratização que um governo vai entregar um país pior do que pegou”, atacou.