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16 de Maio de 2018, 19h03

Papa Francisco lamenta a violência contra palestinos na Faixa de Gaza

Desde que os Estados Unidos anunciaram a transferência de sua embaixada para Jerusalém, em um ato que fere o direito internacional, Israel tem feito uso de extrema violência contra palestinos na Faixa de Gaza, assassinando mais de 60 pessoas desde segunda-feira

Por Vermelho

“Que Deus tenha piedade de nós”, disse o Papa Francisco ao fazer um apelo pela paz na Terra Santa durante a Audiência Geral desta quarta-feira (16). Desde que os Estados Unidos anunciaram a transferência de sua embaixada para Jerusalém, em um ato que fere o direito internacional, Israel tem feito uso de extrema violência contra palestinos na Faixa de Gaza, assassinando mais de 60 pessoas desde segunda-feira (14).

“Estou muito preocupado e triste com o aumento da tensão na Terra Santa e no Oriente Médio e com a espiral de violência que afasta sempre mais do caminho da paz, do diálogo e das negociações. Expresso a minha grande dor pelos mortos e os feridos e estou próximo com a oração e o afeto a todos os que sofrem. Reitero que o uso da violência jamais leva à paz. Guerra chama guerra, violência chama violência. Convido todas as partes em causa e a comunidade internacional a renovar o empenho para que prevaleçam o diálogo, a justiça e a paz”, disse Francisco. “Que Deus tenha piedade de nós”, concluiu.

Em abril o exército israelense já vinha abrindo fogo contra manifestantes desarmados que protestavam na Faixa de Gaza pela Marcha do Retorno (uma série de atos do povo Palestino para reivindicar a volta para suas terras, das quais foram expulsos ou foram obrigados a deixar como refugiados após a criação do Estado de Israel em 1948). Na época, o pároco brasileiro Mario da Silva, da Paróquia Sagrada Família, em Gaza, afirmou em entrevista para o VaticanoNews que “Aos sentimentos de alegria pela Páscoa, contrapõem-se tristeza, incertezas, pobreza e falta de liberdade”, e que o “diálogo é a única saída”.

Após a declaração unilateral feita por Israel de que Jerusalém seria sua capital, o país vem usando de extrema violência para reprimir palestinos. Israel ainda ocupa ilegalmente diversos territórios declarados como palestinos pelas Nações Unidas, além de manter ocupações militares em outros.

A transferência da embaixada fere o direito internacional

Em 30 de julho de 1980 foi votada no parlamento de Israel a “Lei Básica de Jerusalém, capital de Israel”, que em agosto do mesmo ano foi considerada pela ONU como inválida, uma vez que faz oposição à resolução 476 de 30 de junho de 1980, do Conselho de Segurança, que estabeleceu que a “lei de Jerusalém” é uma violação do direito internacional, em especial contra a Quarta Convenção de Genebra de 1949, além de ser um sério obstáculo para a conquista da paz. Jerusalém é uma cidade sagrada para ambas as religiões- judaica e muçulmana- assim sendo, ainda segundo o Conselho de Segurança, todas as medidas que alteraram o caráter geográfico, demográfico e histórico e o Estatuto da Cidade Santa são nulas, sem efeito e ineficazes.

Mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém e entender a Cidade Santa como capital de Israel vai completamente contra as resoluções estabelecidas pela ONU, além de dificultar o processo de paz na região. Em 2017, quando anunciada a mudança da Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, 128 países, dos 198 que integram a Assembleia Geral da ONU, votaram uma resolução de condenação à decisão americana. Apenas 7 países ficaram com Trump.