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03 de agosto de 2018, 18h35

Papa Francisco se encontra com brasileiros e elogia Dilma: “Uma mulher honesta”

Pastora Cibele Kuss, uma das integrantes da comitiva brasileira, revela que o pontífice mostrou preocupação com intolerância contra religiões, povos indígenas e defensores dos direitos humanos

Uma comitiva brasileira visitou o Papa Francisco, nesta sexta-feira (3), entre os presentes estava a pastora Cibele Kuss. Em entrevista à Fórum, ela revelou que, entre os temas abordados, um dos principais foi a preocupação com a violência contra os povos indígenas, a intolerância em relação à diversidade religiosa e a defesa dos direitos humanos. “Em um dos momentos de emoção, o Papa elogiou a ex-presidenta Dilma Rousseff. Disse que a encontrou em três oportunidades, a chamou de amiga e afirmou que ela é uma mulher honesta”, conta Cibele. “A acolhida do Papa Francisco foi muito afetiva. Levamos uma pauta...

Uma comitiva brasileira visitou o Papa Francisco, nesta sexta-feira (3), entre os presentes estava a pastora Cibele Kuss. Em entrevista à Fórum, ela revelou que, entre os temas abordados, um dos principais foi a preocupação com a violência contra os povos indígenas, a intolerância em relação à diversidade religiosa e a defesa dos direitos humanos.

“Em um dos momentos de emoção, o Papa elogiou a ex-presidenta Dilma Rousseff. Disse que a encontrou em três oportunidades, a chamou de amiga e afirmou que ela é uma mulher honesta”, conta Cibele.

“A acolhida do Papa Francisco foi muito afetiva. Levamos uma pauta política bem ampla e plural, abordando os retrocessos nas políticas sociais e uma análise do atual processo político no Brasil. Quando o assunto foi o ex-presidente Lula, ele reiterou a defesa à questão da presunção de inocência. Lembrando que um dia antes, durante audiência com o embaixador Celso Amorim, o Papa havia entregue uma mensagem ao ex-presidente”, destaca a pastora.

Segundo Cibele, o pontífice se solidarizou e demonstrou preocupação com as vítimas dos constantes e aprofundados ataques às lideranças que defendem os direitos humanos, citando o caso emblemático da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). “Foi outro momento muito emocionante, quando a mãe dela, Marinete da Silva, o presenteou com uma camiseta com a imagem da Marielle. O Papa também disse que acompanha com atenção os casos de violência no Rio de Janeiro.”

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Violência religiosa

A pastora representou o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) e a Fundação Luterana de Diaconia. “Conversamos sobre o aumento da violência religiosa, principalmente no período pós-golpe 2016, onde passou a ocorrer uma raivosa instrumentalização da religião e da bíblia, potencializada pela narrativa fundamentalista, especialmente durante o período de impeachment da ex-presidenta Dilma. Sempre combatemos essa relação.”

A violência contra os povos indígenas também esteve no centro da conversa. “A religiosidade indígena está intrinsecamente ligada à questão da demarcação de terras, um dos problemas centrais. O Papa também se mostrou preocupado com os frequentes ataques aos terreiros de religiões de matriz africana, o que faz parte do crescimento do discurso de ódio que se espalha pelo país. Com a igreja não seria diferente, pois se trata de um segmento da sociedade.”

Além de Cibele Kuss, a comitiva que visitou o Papa Francisco foi formada por Carol Proner (jurista), Paulo Sérgio Pinheiro (professor e ex-secretário de Estado de Direitos Humanos do governo FHC) e Marinete da Silva (mãe da Marielle Franco).

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