11 de fevereiro de 2018, 11h01

Para Associação dos Procuradores, Segovia protagoniza um “espetáculo dantesco”

Presidente da ANPR, José Robalinho, disse que decisões sobre eventual arquivamento da investigação contra Temer são “exclusivas” da Procuradoria-Geral da República

A entrevista concedida à Reuters pelo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, provocou reações contrárias em inúmeros setores. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, publicou nota lamentando as declarações do diretor, sobre um possível arquivamento do inquérito que investiga o presidente Michel Temer. Segundo Robalinho, decisões desse tipo são atribuições “exclusivas” da Procuradoria-Geral da República, e o trabalho policial deve continuar sendo “técnico e independente”.

“Quando o País se vê diante do espetáculo dantesco de um diretor-geral de polícia dando declarações no lugar dos responsáveis por uma investigação percebe-se que é sorte para a sociedade brasileira que quem determina se um inquérito policial terá proposta de arquivamento, ou se a investigação continuará em busca de novas diligências não é a polícia, e sim o Ministério Público”, afirmou. No comunicado, a entidade elogia a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que intimou Segovia a prestar esclarecimentos.

“As declarações de Segóvia desrespeitaram sua própria instituição e seus subordinados. A Polícia Federal é um órgão de Estado, e não de governo, e seus profissionais são sérios, técnicos e sempre terão o Ministério Público ao seu lado todas as vezes que sua independência técnica for colocada em risco”, escreveu Robalinho.

Temer é investigado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro por ter, supostamente, recebido vantagens indevidas de uma empresa para editar o chamado Decreto dos Portos. A determinação de Barroso foi feita após a entrevista porque ele é o relator do caso no STF.

Na nota, a instituição lembra que cabe ao MP, “destinatário” de eventuais provas, avaliar “o momento” e decidir se apresenta denúncia ou pede o arquivamento ao Poder Judiciário.

Também por meio de nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) se manifestou. De acordo com o órgão, nenhum dirigente deve se posicionar sobre investigações em andamento “independentemente da posição que ocupe” na PF. “A ADPF espera que o diretor-geral garanta, nas palavras e nos atos, os instrumentos necessários para que os delegados exerçam suas atribuições de forma técnica e republicana, sem temor por reações do poder político e econômico”, afirmou a entidade.

Com informações da Agência Brasil

Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara