01 de novembro de 2018, 18h38

Para Ayres Britto, ex-ministro do STF, Moro no governo compromete Judiciário

“Esse tipo de mudança de camisa, tão rapidamente, projeta no inconsciente coletivo, no seio da coletividade, uma imagem pouco favorável dos membros do Poder Judiciário”, diz o jurista

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Na avaliação de Carlos Ayres Britto, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o fato de Sérgio Moro ter aceitado comandar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro compromete “a boa imagem social do próprio Judiciário”, que deve zelar pela separação e independência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As informações são de Natália Portinari, de O Globo. “O Judiciário se define pelo desfrute de uma independência que não pode ser colocada em xeque. Os magistrados devem manter o máximo de distância dos outros dois poderes. Isso não parece rimar com...

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na avaliação de Carlos Ayres Britto, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o fato de Sérgio Moro ter aceitado comandar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro compromete “a boa imagem social do próprio Judiciário”, que deve zelar pela separação e independência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As informações são de Natália Portinari, de O Globo.

“O Judiciário se define pelo desfrute de uma independência que não pode ser colocada em xeque. Os magistrados devem manter o máximo de distância dos outros dois poderes. Isso não parece rimar com o ‘espírito da coisa’ de um membro do Judiciário pedir exoneração e já se transportar, com mala e bagagens, para um cargo do Poder Executivo”, afirmou.

“Esse tipo de mudança de camisa, tão rapidamente, projeta no inconsciente coletivo, no seio da coletividade, uma imagem pouco favorável dos membros do Poder Judiciário. Ele poderia se candidatar e entrar no Legislativo, mas aí não seria uma coisa tão instantânea. Ele se desligaria voluntariamente do Judiciário e iria disputar no Legislativo”, prosseguiu o jurista.

Ayres Britto destacou, também, que a circunstância de Moro comandar a Operação Lava Jato é um agravante. “O juiz Sérgio Moro está à frente de um dos processos penais mais simbolicamente relevantes da história do Brasil, porque alusivo ao gravíssimo tema da corrupção serial organizada às custas do patrimônio público. Isso significa que, no imaginário coletivo, essa migração imediata do principal condutor desses processos para o Executivo redundará em prejuízo para a mais eficiente continuidade da apuração e julgamento do que ocorre no ‘andar de cima’ da sociedade”, completou.