04 de novembro de 2018, 12h58

Para historiadora, eleição de Bolsonaro marca fim da Nova República

Maud Chirio, especialista em história da direita no Brasil, acredita que o regime que vai se instaurar em janeiro de 2019 no país não será democrático

A historiadora francesa Maud Chirio, especialista em história da direita brasileira, afirmou que o governo Bolsonaro ficará marcado nos livros de história como o marco final da Nova República, iniciada em 1985, após a ditadura militar. Segundo Maud, o projeto de Bolsonaro é contraditório aos princípios que regem a Nova República. “Ele representa um segmento que sempre rejeitou a República decorrente da Constituição de 1988 e sua apologia da diversidade étnica, religiosa e do pluralismo. Não há razão para acreditar que ele pense diferente”, avalia. Maud Chirio destaca os discursos do presidente eleito sobre eliminar adversários políticos como muito perigosos...

A historiadora francesa Maud Chirio, especialista em história da direita brasileira, afirmou que o governo Bolsonaro ficará marcado nos livros de história como o marco final da Nova República, iniciada em 1985, após a ditadura militar.

Segundo Maud, o projeto de Bolsonaro é contraditório aos princípios que regem a Nova República. “Ele representa um segmento que sempre rejeitou a República decorrente da Constituição de 1988 e sua apologia da diversidade étnica, religiosa e do pluralismo. Não há razão para acreditar que ele pense diferente”, avalia.

Maud Chirio destaca os discursos do presidente eleito sobre eliminar adversários políticos como muito perigosos à democracia. E ainda diz que Bolsonaro tem afinidade com a ala linha-dura do regime que vigorou no Brasil de 1964 a 1985.

“Parte de sua fala é norteada pela [ideia ] repressão violenta da oposição de esquerda –das menções a exílio forçado e prisão até a alusão a agressões físicas e eliminação definitiva de adversários. E não são excessos pontuais, deslizes, mas, sim, uma retórica recorrente a indicar que ele não aceitará a sobrevida política de uma oposição de esquerda, o que já basta para caracterizar como não democrático o regime que vai se instaurar em janeiro de 2019”, afirma.

Ela ressalta que o discurso repressivo de Bolsonaro se estende a outros setores da sociedade, aos quais é negado o direito à diferença. “Isso é muito claro com os homossexuais e com os índios — estes, ao que tudo indica, para “virarem brasileiros”, vão ser destituídos de suas especificidades, sofrendo com a supressão de reservas e com a rédea solta para o agronegócio, o que resultará provavelmente em massacre. Ou seja, há uma rejeição da diversidade política e social do país –o que, a meu ver, caracteriza uma sociedade autoritária.”

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