15 de janeiro de 2019, 19h45

Para Onyx Lorenzoni, arma em casa oferece o mesmo risco que um liquidificador

Além da comparação esdrúxula para defender o decreto, ministro-chefe da Casa Civil disse que a PF terá que acreditar na "boa fé" do cidadão que diz que tem compartimento com tranca em casa, pré-requisito para a aquisição de uma arma de fogo

Foto: Presidência da República/Divulgação
Em conversa com jornalistas em Brasília na tarde desta terça-feira (15), o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comparou a posse de uma arma em casa à posse de um liquidificador para defender o decreto assinado mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro. Para Lorenzoni, o risco que uma arma de fogo oferece às crianças é o mesmo que seria oferecido pelo eletrodoméstico. “A gente vê criança pequena botar o dedo dentro do liquidificador e ligar o liquidificador e perder o dedinho. Então, nós vamos proibir os liquidificadores? Não. É uma questão de educação, é uma questão de orientação. No caso...

Em conversa com jornalistas em Brasília na tarde desta terça-feira (15), o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comparou a posse de uma arma em casa à posse de um liquidificador para defender o decreto assinado mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro.

Para Lorenzoni, o risco que uma arma de fogo oferece às crianças é o mesmo que seria oferecido pelo eletrodoméstico.

“A gente vê criança pequena botar o dedo dentro do liquidificador e ligar o liquidificador e perder o dedinho. Então, nós vamos proibir os liquidificadores? Não. É uma questão de educação, é uma questão de orientação. No caso da arma, é a mesma coisa. Então, a gente colocou isso [a exigência de cofre] para mais uma vez alertar e proteger as crianças e os adolescentes”, disse.

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A exigência do cofre para guardar a arma de fogo, no entanto, é simbólica. Além de bastar um “compartimento com tranca”, o ministro afirmou que a Polícia Federal terá que acreditar na “boa fé” do cidadão que quiser ter arma em casa, já que a PF não teria efetivo para fazer a fiscalização.

Decreto é “irresponsável”, avalia especialista 

A assinatura do decreto que facilita a posse de armas de fogo no Brasil, nesta terça-feira (15), desagradou especialistas e estudiosos dos temas de segurança pública e violência. “Essa medida é irresponsável, porque vai gerar uma explosão de criminalidade no país”, avalia Isabel Figueiredo, conselheira do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“A posição do Fórum e de outras entidades, que trabalham com essa questão, é de muita preocupação com relação à alteração no decreto que regulamenta o Estatuto do Desarmamento. A gente tem uma percepção baseada em estudos sérios de que a medida de controle de armas produzida com o Estatuto do Desarmamento foi algo muito importante para reduzir o ritmo da escalada da violência no país”, revela Isabel.

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