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18 de novembro de 2016, 15h01

“Indústria farmacêutica age como crime organizado”, diz pesquisador

Professor da Universidade de Copenhague expõe falhas na regulação de medicamentos, colocando em risco a saúde do consumidor.

Professor da Universidade de Copenhague expôs, em entrevista, falhas na regulação de medicamentos, colocando em risco a saúde do consumidor Por Matheus Moreira Professor da Universidade de Copenhague e fundador do Cochrane, um grupo de médicos que investigam eficácia de tratamentos, Peter Gotzsche, de 67 anos, disse em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo que a indústria farmacêutica age como crime organizado. Para ele, o setor desrespeita leis, “É o que a máfia faz. Esses crimes envolvem práticas como forjar evidencias e fraudes”, disse. Ao ser questionado pela repórter Cláudia Collucci sobre o peso da acusação e se estava...

Professor da Universidade de Copenhague expôs, em entrevista, falhas na regulação de medicamentos, colocando em risco a saúde do consumidor

Por Matheus Moreira

Professor da Universidade de Copenhague e fundador do Cochrane, um grupo de médicos que investigam eficácia de tratamentos, Peter Gotzsche, de 67 anos, disse em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo que a indústria farmacêutica age como crime organizado. Para ele, o setor desrespeita leis, “É o que a máfia faz. Esses crimes envolvem práticas como forjar evidencias e fraudes”, disse.

Ao ser questionado pela repórter Cláudia Collucci sobre o peso da acusação e se estava sendo processado, Gotzsche foi contundente: “Não, porque isso é um fato, não é uma acusação […] Eles dizem que os exemplos que cito no meu livro são velhos, que as práticas hoje são outras. Mas é mentira. Eu documentei crimes cometidos pelas dez maiores farmacêuticas entre 2007 e 2012. Esses crimes estão crescendo, e isso não é surpresa”, explicou.

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Gotzsche é especialmente critico a fármacos voltados para tratamentos psiquiátricos. Ele conta que o uso desses medicamentos traz efeitos colaterais e que, se interrompidos, geram efeitos de crises de abstinência. O pesquisador afirma ainda que não conhece “outra especialidade médica onde haja tanto excesso de diagnóstico”.

Sobre a regulação de agências, Gotzsche comentou que se têm feito um “trabalho muito pobre”.

“Para ter uma nova droga aprovada só é preciso provar que ela é melhor do que placebo, mas os efeitos colaterais não são levados muito em conta”. Para ele, a regulação não leva em conta os efeitos colaterais e estuda pouco os danos ao organismo do paciente.

Em resposta às declarações do médico, integrantes do setor farmacêutico criticaram a postura do pesquisador, “Não se pode criminalizar uma indústria que efetivamente faz saúde em caixinha, que evita que as pessoas fiquem doentes”, afirma o presidente executivo do Sindicato Paulista da Indústria de Produto Farmacêuticos, Nelson Mussolini, que conclui: “não conheço o livro, mas dei um Google”.

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Foto: Reprodução/Youtube

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