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04 de outubro de 2015, 17h06

Para Sebastião Salgado, crise dos refugiados é culpa dos EUA e Europa

“Quando eu conheci o Iraque, era um país rico, onde as pessoas trabalhavam, tinham aposentadoria, residências e viviam em paz. Um país [Estados Unidos] imaginou que lá havia armas de destruição em massa, atacou o lugar e o trouxe para a idade da pedra (…) Para onde você quer que esse povo vá?”, disse em entrevista o fotógrafo brasileiro que já viajou o mundo todo registrando imagens de crises, guerras e miséria Por Redação Um dos mais aclamados fotógrafos da atualidade, o brasileiro Sebastião Salgado pode, ao longo de sua vida, entender muito bem as origens da miséria humana. Ao...

“Quando eu conheci o Iraque, era um país rico, onde as pessoas trabalhavam, tinham aposentadoria, residências e viviam em paz. Um país [Estados Unidos] imaginou que lá havia armas de destruição em massa, atacou o lugar e o trouxe para a idade da pedra (…) Para onde você quer que esse povo vá?”, disse em entrevista o fotógrafo brasileiro que já viajou o mundo todo registrando imagens de crises, guerras e miséria

Por Redação

Um dos mais aclamados fotógrafos da atualidade, o brasileiro Sebastião Salgado pode, ao longo de sua vida, entender muito bem as origens da miséria humana. Ao longo de sua carreira, viajou o mundo todo registrando imagens de momentos de crise e de guerra e acompanhou como se deu o início de uma série de conflitos que culminaram em graves consequências até os dias atuais.

Uma dessas consequências, que ganhou notoriedade principalmente nos últimos meses, é a crise de refugiados que tem levado milhões de sírios, líbios, iraquianos, africanos e cidadãos de outros países a buscarem abrigo em pátrias que não são as suas. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, neste domingo (4), Salgado fez uma análise da atual crise de refugiados e atribuiu o problema à intervenções militares dos Estados Unidos e de países da Europa.

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Para o fotógrafo, há a impressão de que trata-se de um problema novo por conta dos atuais fluxos migratórios de refugiados que chegam à Europa principalmente através da Itália. Ele pontua, contudo, que a crise começou muito antes.

“Como essas pessoas estão chegando à Europa, parece que a história é nova, mas não é nova, não. É velha, é a história da globalização, da reorganização da família humana, da concentração em centros urbanos, das geopolíticas. Quando eu conheci o Iraque, era um país rico, onde as pessoas trabalhavam, tinham aposentadoria, residências e viviam em paz. Um país [Estados Unidos] imaginou  que lá havia armas de destruição em massa, atacou o lugar e o trouxe para a idade da pedra. No Iraque hoje ninguém tem casa, bomba explode todos os dias, é um país fisicamente destruído. Para onde você quer que esse povo vá?”, questionou.

Em sua análise, Salgado citou ainda outro exemplo de intervenção, mas dessa vez de países europeus na Líbia.

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“Era uma estabilidade, de uma ditadura, mas os líbios tinham casa, escola, viviam de uma maneira razoável. Tomou-se a decisão
de botar o [ex-ditador líbio] Gadaffi para fora. Bombardeios, tropas francesas e britânicas entraram com os rebeldes, mas eles não tinham ideia da casa de marimbondo em que estavam mexendo. A ponto de ninguém assumir o controle daquilo, nem os líbios, virou um negócio terrível. De onde saem milhares de refugiados que hoje atravessam em direção à Itália? Você joga com a história dos outros e depois sofre com as consequências”, avaliou.

 

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