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04 de junho de 2019, 12h41

Passear em Santos nas “Canções de Amor Caiçara”, de Marcos Canduta e Manoel Herzog

A opereta escrita pelos autores santistas conta com a participação de Chico Buarque, Zeca Baleiro, Carlos Careqa, Alberto Salgado, Viviane Davoglio, João Maria e os Filhos da Tradição

Aquarela de Simone Schumacher usada na capa do álbum "Canções de Amor Caiçara"
Finalmente será lançado, no próximo sábado (8), o esperado “Canções de Amor Caiçara”, criação da dupla de santistas – o músico Marcos Canduta e o escritor Manoel Herzog. Os dois são artistas de grande talento, com seus trabalhos reconhecidos. Canduta é autor de vários discos, compositor e exímio violonista. Forma, ao lado de Débora Gozzoli, o duo Choro de Bolso. Herzog é um grande escritor, poeta e romancista, com várias publicações, entre elas o recente romance, “Boa Noite, Amazona”, também lançado neste ano. Os dois juntos se reinventaram para criar uma opereta, que tem como ponto de partida o encontro...

Finalmente será lançado, no próximo sábado (8), o esperado “Canções de Amor Caiçara”, criação da dupla de santistas – o músico Marcos Canduta e o escritor Manoel Herzog. Os dois são artistas de grande talento, com seus trabalhos reconhecidos.

Canduta é autor de vários discos, compositor e exímio violonista. Forma, ao lado de Débora Gozzoli, o duo Choro de Bolso. Herzog é um grande escritor, poeta e romancista, com várias publicações, entre elas o recente romance, “Boa Noite, Amazona”, também lançado neste ano.

Os dois juntos se reinventaram para criar uma opereta, que tem como ponto de partida o encontro casual de um casal, que se conhece na ponte rodoviária em direção à Baixada Santista. Um local, como insiste o texto de apresentação, que tem vocação para a visita episódica.

A visita serve como pretexto para as canções, que seguem com o casal descrevendo locais da região como a Estação do Valongo, Engenho dos Erasmos, Morro do São Bento, Praia do Goes e, é claro, a Vila Belmiro, entre outros.

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A viagem começa pela capa e encarte, todo composto por lindas aquarelas da multiartista Simone Schumacher. Cada canção tem a sua imagem respectiva, formando um todo delicado e requintado, de extremo bom gosto (veja a foto).

Para interpretar as canções, que trazem em si um leve sabor de nostalgia aliado à modernidade profusa de versos e harmonias inesperadas, aparecem algumas figuras ilustres da nossa música. Entre elas, nada menos do que o cantor, compositor e escritor Chico Buarque, o maranhense Zeca Baleiro, Carlos Careqa, o cantor e compositor Alberto Salgado além dos santistas Viviane Davoglio e João Maria.

O disco conta ainda com a participação do grupo Filhos da Tradição, na canção “Fado Bordado”, que fala da intensa influência portuguesa na cidade e, particularmente, das bordadeiras do morro do São Bento.

Zeca interpreta a linda canção que abre a opereta, “Descendo a Serra”. Nela, o casal se aconchega no ônibus enquanto a chuva fina e a neblina correm na janela. A promessa é que uma hora “a solidão termina, E a gente desce se você quiser, Até o mar a pé, Passear até…”.

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Chico, por sua vez, ficou por conta de uma grande paixão sua e assumiu o papel, ele fluminense inconteste, de santista roxo. Fã incondicional de Pagão, lendário centroavante do alvinegro praiano, o cantor divide com Viviane Davoglio, que faz uma torcedora do Palmeiras, o divertido samba: “Time do interior quase ninguém repara”. O samba é uma discussão de torcedores onde um argumenta com Robinho, Pita, Mengálvio, Juari e “não vamo nem falar de Pelé”. E ela devolve com “Ademir da Guia? Rivelino, Serginho Chulapa, Zé Sérgio, Raí”.

Por razões óbvias e outras tantas afetivas e subjetivas, Carlos Careqa considero cantando “Valsa Noroeste” absoluto. Um ponto alto entre tantos outros deste belo disco.

Assim como a cidade de Santos, seus lugares, músicos e poetas, a opereta/disco “Canções de Amor Caiçara” traz inúmeras surpresas. Desde as vozes de santistas ilustres misturadas às de artistas reconhecidos da nossa canção, o álbum tem o mérito de quebrar com a obra ilhada, a cidade reclusa e guardada em si própria.

E, a partir disso, se lança ao mundo. Assim como os navios que não cansam de passar apitando na barra.

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