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15 de maio de 2018, 12h11

Patrícia Lélis: “A política que não é levada a sério”

Oscar Maroni se acha politizado e, na verdade, não passa de mais um atrativo para o circo político

Foto: Reprodução/YouTube Por Patrícia Lélis* Como já disse por diversas vezes, hoje tenho que repetir o quanto me sinto triste com o grande circo que vivemos na política. Se você for mulher e decidir se candidatar, logo de início enfrentará o machismo, até mesmo dentro de partidos de esquerda. Uma boa parte dos partidos que deveria dar voz às mulheres, na maior parte das vezes nos coloca apenas para cobrir cotas, mas não leva a sério a candidatura de mulheres. Por mais que pesquisas indiquem maior participação feminina na política, no dia a dia sabemos que a realidade é outra....

Foto: Reprodução/YouTube

Por Patrícia Lélis*

Como já disse por diversas vezes, hoje tenho que repetir o quanto me sinto triste com o grande circo que vivemos na política. Se você for mulher e decidir se candidatar, logo de início enfrentará o machismo, até mesmo dentro de partidos de esquerda. Uma boa parte dos partidos que deveria dar voz às mulheres, na maior parte das vezes nos coloca apenas para cobrir cotas, mas não leva a sério a candidatura de mulheres.

Por mais que pesquisas indiquem maior participação feminina na política, no dia a dia sabemos que a realidade é outra. Desde brigas políticas internas, censura, até zero apoio na candidatura, mas o discurso “mais mulheres na política” segue forte, porém fraco na prática. Recentemente, tenho recebido diversas mensagens de pessoas que me acompanham perguntando qual a minha posição sobre a ida do Oscar Maroni para o PROS. Minha posição continua firme: eu não passo pano na cabeça de ninguém, principalmente de um homem que é acusado de tráfico de mulheres e que deixa seu fascismo e machismo expícitos de forma repugnante.

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Não temos como esquecer a cena bizarra do mesmo vestido de presidiário (roupa que lhe cai muito bem, devido a todos os crimes que já cometeu), segurando uma mulher desnuda, mostrando a genitália e sendo aplaudido por mais de 300 pessoas, em sua maioria homens. Ou como podemos esquecer da fala fascista onde o mesmo oferece um prêmio para quem matar o ex-presidente Lula?

Oscar Maroni é o nítido analfabeto político que conseguiu um público ainda mais baixo do que ele como seguidor. Eu sempre prezei pela educação, elegância e respeito, principalmente dentro da política, mas, sinceramente, para tudo existe um limite. E o limite do Oscar Maroni é o que mais me assusta, uma vez que claramente ele não conhece o significado dessa palavra. Oscar Maroni não passa de um típico retrato de como a política é levada na brincadeira e principalmente na base do machismo. A pergunta que eu faço desde que recebi a noticia de sua candidatura é: o que uma pessoa como Oscar Maroni tem a nos ensinar? Em que ele vai nos representar?

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Apesar de tudo, no fundo fico até contente de que ele tenha vindo para o mesmo partido que o meu, pois ele já deve saber que é bom ter cuidado com suas palavras daqui para frente, pois eu, como boa feminista que luta por igualdade, respeito e contra o machismo, não me manterei calada a respeito de nenhuma fala repugnante que possa sair da boca desse ser. E mais: acredito que temos que peitar qualquer machista que nos desrespeite. Por sua vez, o PROS sempre me apoiou na minha candidatura e me deu total liberdade de fazê-la como bem entender. O partido em si tem uma visão democrática interna que tem funcionado de forma bacana, por mais que a vinda do Oscar Maroni fuja de qualquer bom senso ético proposto.

Ao Oscar Maroni fica aqui meu aviso público: cuidado com o que você fala daqui para frente, não é porque somos do mesmo partido que ficarei calada, muito pelo contrário. Sigo de forma fiel defendendo os direitos das mulheres, direitos aos quais você já mostrou publicamente não saber respeitar. E parabéns, você encontrou alguém que vai enfrentá-lo de frente, sem o menor medo.

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 *Patrícia Lélis é jornalista

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