12 de setembro de 2018, 22h13

Patrícia Lélis: Mulheres Unidas Contra Bolsonaro

"O grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro não é apenas um movimento que ficará na internet. Vamos às ruas para protestar contra tudo que nos desrespeita e tira nossos direitos."

Fotos Públicas

Por Patrícia Lélis*

Não é novidade para ninguém que essa eleição vai ser decidida por mulheres, e mais uma vez ficou comprovado que não apoiamos um candidato machista, que teve coragem de dizer em um dos seus falidos discursos a seguinte frase: “Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher” (Palestra no Clube Hebraica, abril de 2017).

Como se não bastasse o mesmo candidato também é racista, e podemos lembrar da seguinte frase proferida para a querida Preta Gil quando questionado sobre o que faria se seu filho se apaixonasse por uma negra, em março de 2011 : “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”.

E se você ainda acha que é pouco, o mesmo candidato também é homofóbico. Em um vídeo reproduzido no programa de Danilo Gentili, o candidato afirmou que 90% das crianças adotadas por casais gays vão ser homossexuais e vão ser garotos de programa com toda a certeza.

Bolsonaro ainda afirma que é liberal e acredita que nós, mulheres, devemos ganhar menos. Vamos recordar a seguinte frase dita por ele: “Eu sou liberal. Defendo a propriedade privada. Se você tem um comércio que emprega 30 pessoas, eu não posso obrigá-lo a empregar 15 mulheres. A mulher luta muito por direitos iguais, legal, tudo bem. Mas eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? “Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade… Bonito pra c…, pra c…! Quem que vai pagar a conta? O empregador. Por isso que o cara paga menos para a mulher! É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual.”

São as mulheres que decidem e são as mulheres que decidirão. Com a proximidade da primavera, um milhão de mulheres, feministas ou não, partidárias ou não, de esquerda ou não, floresceram e afirmaram que são “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”.

Sim, eu sei que é difícil de acreditar em tanta asneira dita por uma só pessoa, mas como se ainda não bastasse, gostaria de lembrar de uma dos episódios mais tristes e machistas que já vimos na política, quando o candidato a presidência teve a coragem de dizer para a querida deputada que aprovou muito mais leis no Congresso do que ele, Maria do Rosário, que ela não merecia ser estuprada – por ser “feia”, e não por estupro ser um crime.

O grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” não é apenas um movimento que ficará na internet. Vamos às ruas para protestar contra tudo que nos desrespeita e tira nossos direitos. Vamos gritar aos quatro cantos da Terra que nós somos fortes, e mais do que nunca estamos unidas para derrotar aquele que pensa que é mais forte do que nós.

À todas as mulheres que fazem parte desse lindo movimento, onde também acabamos fazendo amizades, quero que se sintam abraçadas e também encorajadas. Eu já sofri horrores absurdos nas mãos não apenas do Bolsonaro, mas como também do Feliciano e precisei ir à Justiça quando Eduardo Bolsonaro me ameaçou. Posso afirmar para vocês que eles só fazem barulho mas recuam totalmente ao ver nossa força. E que força….

Lembrem-se: Nós por todas.

*Patrícia Lélis é jornalista