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23 de janeiro de 2019, 10h41

Patrícia Lélis sobre relação com clã Bolsonaro: “Conviver com eles é ter que saber reagir a briga de egos”

Em entrevista à Fórum, jornalista, que trava uma batalha contra Eduardo Bolsonaro nas redes sociais e na Justiça, diz que fez papel de "bonequinha" nos tempos em que esteve no PSC. "Eduardo sempre foi mulherengo e traidor. Ele precisava de uma "bonequinha" para dizer publicamente que tinha alguém".

Reprodução/Facebook
Envolvida com a família Bolsonaro desde os tempos em que militava em prol de uma pauta conservadora no Partido Social Cristão, a jornalista – e hoje feminista – Patrícia Lélis trava uma batalha com o terceiro filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/RJ), na redes sociais e na Justiça desde que ela acusou o pastor Marco Feliciano (ex-PSC, atual Podemos) de tentativa de estupro. “Eduardo ficou sabendo do estupro do Feliciano e me pediu para ficar calada, entre outros assuntos em que ele tinha atitudes erradas e sempre me ameaçava de alguma forma para que eu ficassse em...

Envolvida com a família Bolsonaro desde os tempos em que militava em prol de uma pauta conservadora no Partido Social Cristão, a jornalista – e hoje feminista – Patrícia Lélis trava uma batalha com o terceiro filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/RJ), na redes sociais e na Justiça desde que ela acusou o pastor Marco Feliciano (ex-PSC, atual Podemos) de tentativa de estupro.

“Eduardo ficou sabendo do estupro do Feliciano e me pediu para ficar calada, entre outros assuntos em que ele tinha atitudes erradas e sempre me ameaçava de alguma forma para que eu ficassse em silêncio”, conta, em entrevista exclusiva à Fórum.

Nesta semana, ela abriu um segundo processo contra Flávio por calúnia e difamação nas redes sociais. O primeiro, sobre as ameaças que sofreu pelo aplicativo Telegram, está no Supremo Tribunal Federal (STF), com denúncia feita pela Procuradora Raquel Dodge contra Eduardo.

Tratada como “bonequinha” quando esteve ao lado de Eduardo – incumbência dada, segundo ela, pelo presidente do PSC, Pastor Everaldo -, ela agora promete não se calar diante de qualquer ato da família Bolsonaro.

“Conviver com eles é ter que saber reagir a briga de egos, disputa por quem é mais sem noção e quem vai aparecer mais na mídia”.

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Leia a entrevista na íntegra.

Fórum: Como começou a conviver com a família Bolsonaro?

Patrícia Lélis: Nosso convívio começou dentro do PSC, quando Eduardo ainda não era deputado federal.

Fórum: Da época em que conviveu com eles, qual a impressão que tinha e como os vê atualmente?

Patrícia Lélis: Eles sempre foram muito autoritários e burros. Sempre tínhamos brigas dentro das reuniões da juventude do PSC, principalmente entre Sara Winter (ex-feminista, que fez parceria política com o clã Bolsonaro e foi candidata a deputada federal pelo DEM, não eleita, em 2018), Eduardo Bolsonaro e eu. Então politicamente já discordávamos em vários pontos, mas como sempre tinha a questão do “conservadorismo” eu acabava optando por ficar quieta em nome da “tradição”.

Fórum: Esse radicalismo de posições ideológicas conservadoras está sendo levado ao governo. Como você vê essa formação de governo dentro dessas posições do clã?

Patrícia Lélis: Não me surpreende. Sempre foram radicais, o que nos leva diariamente a entender a burrice. Tudo sempre foi da forma que eles quiseram, em tudo, tanto é que por esse comportamento muito difícil acabaram saindo do PSC. Conviver com eles é ter que saber reagir a briga de egos, disputa por quem é mais sem noção e quem vai aparecer mais na mídia.

Reprodução

Fórum: Como se envolveu com Eduardo Bolsonaro? Ele diz que nunca a namorou – embora tenha feito aquele post com indiretas. Vocês namoraram realmente? Como se deu essa relação?

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Patrícia Lélis: Nunca foi natural. Eduardo sempre foi mulherengo e traidor de namoradas, o que estava lhe trazendo uma péssima fama dentro da igreja da própria mãe, a Batista, e também dentro do meio conservador. Ele precisava de uma “bonequinha” para dizer publicamente que tinha alguém. Então, na época, o pastor Everaldo (presidente do PSC) sempre nos colocava em eventos juntos para passar essa imagem. E tentávamos nos dar bem. Mas era impossível. Eduardo sempre foi grosseiro, mal educado e extremamente infiel. Eu mesmo, na época, sempre fui brava e desbocada (claro que não como hoje), então sempre estávamos brigando muito. Mas o fim mesmo foi quando o Eduardo ficou sabendo do estupro do (deputado Marco) Feliciano e me pediu para ficar calada, entre outros assuntos em que ele tinha atitudes erradas e sempre me ameaçava de alguma forma para que eu ficasse em silêncio.

Fórum: Como está o processo que move contra ele? Já pediu a abertura desse segundo, com a notícia da Fórum?

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Patrícia Lélis: Ele tem perdido todos os prazos colocados pelo ministro Barroso, simplesmente ignora intimações judiciais e etc. Ele finge que não acontece. Pedi hoje (ontem, na terça-feira, 22 de janeiro) a abertura do segundo processo, por conta das calúnias e difamações que ele sempre faz na internet, e dei enfase na que ele usou uma reportagem da Fórum.

Fórum: Como feminista, qual seu olhar sobre as políticas que estão sendo e serão conduzidas pelo governo Bolsonaro?

Patrícia Lélis: Eu vou dizer isso como mulher: São as piores, só retrocesso. Eu tenho que aturar todos os dias uma ministra que diz que mulheres tem que ficar em casa cuidando dos filhos, mas ela utiliza os direitos que o feminismo deu a ela de ser… ministra. E em um olhar geral, não existe nada que eu possa pontuar como algo bom, nem no social e muito menos no econômico. Nós somos chacota mundial.

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