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08 de março de 2018, 11h07

Pela primeira vez em 124 anos, uma mulher assume a direção da Poli-USP

Formada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Liedi Bernucci, aos 59 anos, foi eleita para comandar a instituição que conta com mais de 8 mil estudantes

“O importante é que as pessoas façam o que têm vontade. O dia em que elas tiverem liberdade para escolher a carreira e exercer seu talento, a gente chegou no equilíbrio”, diz Liedi – Foto: João Alvarez/Sistema FIEB O primeiro contato da estudante Liedi Bernucci com a Escola Politécnica da USP, em 1977, não foi nada animador. Com 19 anos à época, ela ouviu a seguinte frase de um professor: “Mulher não deveria entrar na engenharia, porque o que elas querem é casar e acabam roubando a vaga de um homem”. De fato, ela se casou, tempos depois, e acabou...

“O importante é que as pessoas façam o que têm vontade. O dia em que elas tiverem liberdade para escolher a carreira e exercer seu talento, a gente chegou no equilíbrio”, diz Liedi – Foto: João Alvarez/Sistema FIEB

O primeiro contato da estudante Liedi Bernucci com a Escola Politécnica da USP, em 1977, não foi nada animador. Com 19 anos à época, ela ouviu a seguinte frase de um professor: “Mulher não deveria entrar na engenharia, porque o que elas querem é casar e acabam roubando a vaga de um homem”. De fato, ela se casou, tempos depois, e acabou se tornando a primeira mulher a assumir a diretoria da Poli, uma das escolas de engenharia mais conceituadas do país, depois de 124 anos de comando masculino. A reportagem é de Marina Estarque, da Folha de S.Paulo.

O episódio em sala de aula poderia ter feito a estudante desistir, mas ela seguiu o conselho da mãe: “A melhor resposta é seguir em frente”. Aos 59 anos, Liedi foi eleita nesta quarta-feira (7) para o cargo máximo administrativo da Poli, uma instituição com 452 docentes e mais de 8 mil estudantes. Apesar das “ofensas costumeiras”, como ela descreve o machismo na universidade, a diretoria não duvidava da sua capacidade. Era boa aluna, com notas altas, e isso bastava. “Sou engenheira e objetiva, acredito nos números. Eles falam. Se na comparação eu estava melhor, não tinha como falar que eu era burra”.

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Os números, de fato, são significativos. Em 1977, quando entrou na Poli, menos de 5% dos alunos da graduação eram mulheres. Hoje, elas correspondem a 20%. “Sei que parece pouco, mas não é. Passou de 5% para 20%. Tenho muito orgulho desse número”, ressalta. Em relação ao percentual ideal, ela não aponta. “As pessoas me perguntam se deveria ser metade mulher ou mais. Eu não tenho a resposta. O importante é que as pessoas façam o que têm vontade. O dia em que elas tiverem liberdade para escolher a carreira e exercer seu talento, a gente chegou no equilíbrio”, diz.

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