18 de outubro de 2013, 16h58

Pela volta de água e luz na reitoria, alunos da USP bloqueiam acesso à Cidade Universitária

Depois de quatro horas de protesto, estudantes liberaram o trânsito de carros

Depois de quatro horas de protesto, estudantes liberaram o trânsito de carros

Por Isadora Otoni

Às 7h desta sexta-feira (18), estudantes da USP se reuniram em frente ao principal campus da Cidade Universitária para realizar “trancaço” dos portões de acesso. Após quatro horas de protesto, que causou lentidão no trânsito das imediações, a passagem de carros foi liberada. Os alunos reivindicam, além da negociação das pautas do movimento, a volta de água e luz na reitoria, que está ocupada desde o dia 1º.

Motorista avança por cima de manifestantes, mas ninguém sai ferido (Marcelo Camargo / ABr)

De acordo com a Polícia Militar (PM), o ato contou com cerca de 80 alunos, e o bloqueio ocorreu principalmente no cruzamento da Avenida Alvarenga com a Rua Afrânio Peixoto. Durante o protesto, um motorista tentou avançar por cima dos manifestantes por volta das 10h, e saiu sem ser abordado pela polícia. Ninguém se feriu, mas manifestantes revidaram a tentativa de atropelamento com chutes no veículo, segundo a Agência Brasil.

O estudante de Letras Paulo Henrique de Oliveira, um dos diretores do Diretório Central de Estudantes (DCE), contou que a ocupação é organizada e não houve grande dano ao edifício. “Estamos fazendo a segurança da reitoria, está tudo tranquilo, mas estamos usando a luz dos postes porque o reitor [João Grandino Rodas] cortou a água e a luz do prédio”, ressaltou ele.

Os estudantes têm como objetivo a participação direta na escolha do reitor e vice-reitor. Atualmente, as eleições para a reitoria acontecem por meio da lista tríplice. Alunos e funcionários da USP elegem três candidatos para que o governador escolha o nome de sua preferência para o cargo. João Grandino Rodas foi o segundo colocado no último pleito, mas o governador de então, José Serra, o escolheu preterindo o candidato mais votado, Glaucius Oliva.

Histórico da ocupação

No dia 15, o desembargador José Luiz Germano, da 12ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou a liminar solicitada pela reitoria da USP para reintegração de posse do prédio ocupado. José Luiz concedeu 60 dias para que os alunos desocupem o local, tempo necessário para que negociem com Rodas.

Entretanto, Paulo Henrique reclamou da ausência do reitor. “Mesmo após a Justiça legitimar a ocupação, ele continua com uma postura intransigente, sem tentar negociar com os estudantes. Mas o movimento continua aqui”.

Filipe N., que também cursa Letras na USP, elogiou o “trancaço”, mas contou que o ato foi diferente do combinado em reuniões. “Na assembleia, decidimos trancar os três portões principais, mas só foram dois”, disse o estudante. Ele também fez críticas ao movimento. “Na minha opinião, existe uma distância bem grande entre os espaços de deliberação e os de execução dentro da USP. E ficam pensando estrategicamente demais, marcando datas estratégicas para que o movimento fique bem na mídia. Fiquei surpreso da gente ter conseguido trancar dois portões tão em cima da hora, com muita gente com sono.”