Imprensa livre e independente
14 de novembro de 2018, 14h26

Pelo Twiter, Bolsonaro diz que “infelizmente, Cuba não aceitou” condições que ele impôs ao Mais Médicos

Atualmente, o programa Mais Médicos soma 18.240 vagas. Destas, cerca de 8.500 são ocupadas por médicos cubanos, selecionados para vir ao Brasil por meio de um convênio com a Opas (Organização Pan-americana de Saúde).

Foto: Arquivo/OPAS
Após o anúncio do Ministério da Saúde Pública de Cuba sobre o fim da parceria com o Brasil no programa Mais Médicos, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) foi ao Twitter e disse que “infelizmente, Cuba não aceitou” as modificações que ele propôs para a continuidade do projeto. “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, tuitou o capitão da reserva. Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de...

Após o anúncio do Ministério da Saúde Pública de Cuba sobre o fim da parceria com o Brasil no programa Mais Médicos, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) foi ao Twitter e disse que “infelizmente, Cuba não aceitou” as modificações que ele propôs para a continuidade do projeto.

“Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, tuitou o capitão da reserva.


Segundo o governo cubano, Bolsonaro questionou a formação dos especialistas cubanos, condicionou sua permanência no programa à revalidação do diploma e impôs como único caminho a contratação individual.

“O povo brasileiro, que fez do Programa Mais Médicos uma conquista social, que confiou desde o primeiro momento nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que foi atendido, vai compreender sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não podem continuar prestando seu apoio solidário no país”, afirmou o Ministério da Saúde Pública de Cuba.

Veja também:  Universidades estaduais do Rio são censuradas pelo governo Wilson Witzel

Mais de 8 mil médicos
Com a decisão, milhares de médicos cubanos que trabalham no Brasil devem voltar para a ilha. Atualmente, o programa Mais Médicos soma 18.240 vagas. Destas, cerca de 8.500 são ocupadas por médicos cubanos, selecionados para vir ao Brasil por meio de um convênio com a Opas (Organização Pan-americana de Saúde).

Pelas regras do Mais Médicos, profissionais sem diploma revalidado só podem atuar nas unidades básicas de saúde vinculadas ao programa “nos primeiros três anos”, como “intercambistas”.

A renovação por igual período só pode ser feita caso esses profissionais tenham o diploma revalidado e o aval de gestores nos municípios. No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a ausência de revalidação do diploma era constitucional.

Em geral, os médicos cubanos ficam em municípios menores e mais distantes das capitais, onde há menos interesse de brasileiros em ocupar as vagas. Pelas regras do programa, médicos brasileiros têm prioridade na seleção, seguido de brasileiros formados no exterior, médicos intercambistas (outros estrangeiros) e, por último, médicos cubanos.

Veja também:  Bolsonaro prepara o autogolpe, por Daniel Samam

Fórum precisa ter um jornalista em Brasília em 2019. Será que você não pode nos ajudar nisso? Clique aqui e saiba mais

Fórum em Brasília, apoie a Sucursal

Fórum tem investido cada dia mais em jornalismo. Neste ano inauguramos uma Sucursal em Brasília para cobrir de perto o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Clique no link abaixo e faça a sua doação.

Apoie a Fórum