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16 de outubro de 2018, 14h58

Pelo Twitter, Bolsonaro agradece apoio de ultra-direitista italiano e diz que, se eleito, extraditará Battisti

O gesto pode ser visto como parte da aproximação de Bolsonaro dos grupos de ultra-direita europeus para a formação d'O Movimento, coordenado por Steve Bannon.

Reprodução/Twitter
Em uma publicação em seu Twitter nesta terça-feira (16), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) agradeceu ao ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, pelo apoio que vem recebendo pelas redes sociais. “Grato pela consideração de Vossa Excelência, Vice Primeiro-Ministro italiano! um forte abraço aqui do Brasil!”, tuitou o capitão da reserva. Grato pela consideração de Vossa Excelência, Vice Primeiro-Ministro italiano! um forte abraço aqui do Brasil! “Grazie per la vostra considerazione, Vice Primo Ministro italiano! Un grande abbraccio qui dal Brasile!” https://t.co/8rOVhHZEms — Jair Bolsonaro 1️⃣7️⃣ (@jairbolsonaro) 16 de outubro de 2018 Muito além da diplomacia, o gesto pode ser visto...

Em uma publicação em seu Twitter nesta terça-feira (16), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) agradeceu ao ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, pelo apoio que vem recebendo pelas redes sociais. “Grato pela consideração de Vossa Excelência, Vice Primeiro-Ministro italiano! um forte abraço aqui do Brasil!”, tuitou o capitão da reserva.

Muito além da diplomacia, o gesto pode ser visto como parte da aproximação dos grupos de ultra-direita para a formação d’O Movimento, articulação internacional de políticos da ultra-direita que vem sendo coordenada por Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump.

Salvini é um dos maiores entusiastas das ideias de Bannon, que está desenvolvendo uma espécie de “academia” populista, com sede em Bruxelas, para radicalizar os discursos de políticos de direita e centro-direita na Europa. No Brasil, Bannon atua como conselheiro da campanha de Bolsonaro.

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“Estamos trabalhando para ser o principal grupo parlamentar europeu e esquecer essa triste parábola socialista que trouxe desemprego e insegurança”, disse Salvini, no mês passado, um dia após conhecer Bannon, no fórum de Cernobbio (norte de Itália) de dirigentes políticos e económicos .

Salvini foi apresentado ao guru ultra-liberal pelo chefe do partido popular belga, Mischaël Modrikamen, que acompanha Bannon nos seus esforços para unir populistas e ultra-direitistas em torno de O Movimento.


Além de trabalhar pela vitória de Bolsonaro no Brasil, Bannon atua fortemente para eleger parlamentares da extrema-direita no parlamente europeu nas eleições que acontecem em 2019 usando a mesma estratégia – de divulgação em massa de fake news com conteúdo anti-esquerdista, separatista, xenófobo, racista e misógino nas redes sociais – que tem sido usada no pleito brasileiro.

“A elite atual não ataca o problema da imigração de massa e da islamização como deveria. As pessoas estão indignadas, o terrorismo persiste e aumenta. As possibilidades para os nossos partidos são históricas e mais fortes nos próximos anos na Europa”, disse o deputado anti-imigrantes holandês Geert Wilders, presente em Cernobbio, que declarou estar interessado no projeto de Bannon.

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Saudação a Bolsonaro
Na segunda-feira (8), um dia após o primeito turno das eleições, Salvini cumprimentou Bolsonaro pelo Twitter. “Também o Brasil vai mudar! Esquerda derrotada e novo ar! #gobolsonaro”, escreveu ele na rede social.

Nesta terça-feira, além de agradecer ao colega italianao, Bolsonaro reafirmou o “compromisso de extraditar o terrorista Cesare Battisti, amado pela esquerda brasileira, imediatamente em caso de vitória nas eleições”. Ex-militante da esquerda italiana, Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália, mas vive atualmente no Brasil.

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