06 de julho de 2018, 11h56

Pequim acusa Washington de promover a “maior guerra comercial da história”

O Brasil exportou US$ 47,4 bilhões para a China em 2017 e apenas US$ 26,8 bilhões para os EUA. Temer, no entanto, vende o país aos EUA

(Foto: Beto Barata/PR)

O presidente americano Donald Trump acirra tensões comerciais com a China e impõe tarifa de 25% sobre US$ 34 bilhões em produtos chineses a partir desta sexta-feira (6). Pequim se vê obrigada a retaliar e acusa Washington de promover a “maior guerra comercial da história”.

“Após os EUA terem elevado de forma injusta as tarifas contra a China, a China imediatamente colocou em vigor a elevação de tarifas sobre alguns bens dos EUA”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lu Kang, em entrevista nesta sexta.

Horas antes do prazo de Washington para que as tarifas entrassem em vigor, o presidente norte-americano, Donald Trump, aumentou o tom, alertando que os EUA poderiam visar mais de US$ 500 bilhões em produtos chineses, ou o volume total das importações norte-americanas da China no ano passado.

Alguns portos chineses adiaram a liberação de produtos dos EUA, disseram quatro fontes. Aparentemente não havia nenhuma instrução direta para reter os carregamentos, mas alguns departamentos alfandegários aguardavam orientação oficial sobre a imposição de tarifas adicionais, explicaram as fontes.

Foram semanas de discussões e temores em todo o mundo, com a vã esperança de que Trump recuasse. Mas ele, que considera a China como inimiga estratégica dos EUA, ao lado da Rússia, confirmou que a partir da meia-noite de quinta a elevação das tarifas para bens chineses, dando início assim à guerra comercial.

Temer aposta no parceiro que menos importa

O Brasil, coadjuvante desta disputa, exportou US$ 47,4 bilhões para a China em 2017 e apenas 56% disso para os EUA -US$ 26,8 bilhões. O governo Temer, no entanto, está vendendo o país aos EUA, com a privatização do pré-sal e a venda da Embraer à Boeing, entre outras iniciativas, ameaçando a posição global do Brasil.

O Brasil tornou-se um parceiro estratégico para a China. Em 2007, o Brasil era o 19º que mais comercializava com a China e, em julho deste ano, entrou para o rol dos dez maiores parceiros, ultrapassando a Rússia. No mês passado, o Brasil passou a Índia. Hoje é o 9º maior parceiro comercial dos chineses.

A posição estratégica que o Brasil ocupa hoje foi construída ao longo dos governos Lula e Dilma e Temer a está colocando em risco, no momento de deflagração da maior guerra comercial da história.

Os EUA submeteram, exploraram e, mais recentemente, desprezaram a América Latina e deixaram espaço aberto para as relações entre a China e os países da região, sob governos progressistas. Com isso, hoje, a China é o maior parceiro comercial de praticamente todos os principais países latino-americanos, como Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Paraguai e Venezuela, entre outros.

O México, espremido pelo acordo comercial Nafta, que tornou o país numa extensão dos EUA, poderá aos poucos mudar seu posicionamento com o governo progressista de Lópes Obrador, eleito no último domingo.

Com informações da Reuters e do Brasil 247