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20 de março de 2019, 11h51

Perseguido após campanha contra Bolsonaro, PM desabafa: “pobre bom, é pobre morto”

Para Martel Alexandre, Bolsonaro usa um falso discurso de segurança pública para cooptar apoio dos militares, mas na verdade "só quer um palco pra dizer que está certo e um holofote para desviar o foco dos problemas de sempre"

Bolsonaro e Martel Alexandre (Reprodução)
Perseguido após escrever um texto durante a campanha presidencial, dizendo que a “ideologia do Bolsonaro seria uma péssima escolha para os policiais e para a segurança pública”, o policial militar paranaense Martel Alexandre del Colle escreveu um artigo no site Justificando em que denuncia o mantra por trás do treinamento e da vida dos policiais militares. “Somos treinados com o mantra BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO, mas eu nunca vi um policial sair para executar um deputado bandido, um juiz que vende sentença, um senador que é chefe de tráfico. E eu não espero que saiam. O que eu quero...

Perseguido após escrever um texto durante a campanha presidencial, dizendo que a “ideologia do Bolsonaro seria uma péssima escolha para os policiais e para a segurança pública”, o policial militar paranaense Martel Alexandre del Colle escreveu um artigo no site Justificando em que denuncia o mantra por trás do treinamento e da vida dos policiais militares.

“Somos treinados com o mantra BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO, mas eu nunca vi um policial sair para executar um deputado bandido, um juiz que vende sentença, um senador que é chefe de tráfico. E eu não espero que saiam. O que eu quero demonstrar é que você, policial, está sendo enganado. Você está numa guerra ideológica para matar pobre. Não é bandido bom é bandido morto, mas sim, pobre bom é pobre morto. Você está sendo manipulado”, relata.

Martel diz que após a campanha contra Bolsonaro foi transferido diversas vezes de batalhão – e de cidade -, desenvolveu depressão e pensou emse matar.

“Fui para o hospital da polícia e de lá fui para um internamento que durou 40 dias. Se eu tinha alguma dúvida de que a minha luta estava certa, ela acabou dentro do hospital. Lá encontrei muitos policiais emocionalmente destruídos por terem sido o policial ideal. Alguns contavam dos batismos que, basicamente, são execuções que eles tiveram de realizar como forma de teste quando eram novos na polícia. Segundo eles, era necessário ir até uma favela e matar alguém para mostrar que eles seriam policiais de coragem. Outros policiais estavam com a família destruída. De tanto fazerem coisas de que se arrependem e voltarem para casa sem poder contar nada”.

Segundo ele, Bolsonaro usa um falso discurso de segurança pública para cooptar apoio dos militares, mas que na verdade “só quer um palco pra dizer que está certo e um holofote para desviar o foco dos problemas de sempre”.

“Você está sendo manipulado, usado. Para essa galera, a sua vida não vale nada. É por isso que eles querem que você suba morro para matar traficante, pois o que vale é o show, a sensação do caos. A sua vida é insignificante. Tão insignificante quanto a do traficante. Se sua vida fosse importante para o Bolsonaro e cia, eles lhe dariam proteção e diminuiriam a incidência de crimes, mas eles só querem um palco para dizer que estão certos e um holofote para desviar o foco dos problemas de sempre”, relata.

Leia o artigo na íntegra no site Justificando.

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