01 de novembro de 2018, 22h37

Pesquisa aponta que 83,7% dos eleitores de Bolsonaro acreditaram no “kit gay”

De acordo com o estudo, 98,21% dos eleitores de Bolsonaro entrevistados foram expostos a uma ou mais mensagens com conteúdo falso

Foto Reprodução TV Globo

Uma pesquisa realizada pelo IDEA Big Data/Avaaz, divulgada nesta quinta-feira (1), aponta que 83,7% dos eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) acreditaram na falsa informação de que Fernando Haddad (PT) distribuiu o chamado “kit gay” para crianças em escolas, à época em que era ministro da Educação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o militar de usar fake news em sua campanha. As informações são do Congresso em Foco.

Carlos Horbach, ministro do TSE, exigiu a retirada de seis postagens da campanha de Bolsonaro no Facebook e no YouTube nas quais Bolsonaro chamava de “kit gay” o livro “Aparelho Sexual e Cia.” e o projeto “Brasil sem Homofobia”. Na verdade, o programa não foi implementado e o livro nunca foi distribuído para crianças no Brasil.

O Ministério da Educação (MEC) declarou inúmeras vezes que não produziu, nem adquiriu ou distribuiu a obra e esclareceu que a publicação é estrangeira e traduzida em dez idiomas. Mesmo assim, o militar continuou a falar de “kit gay” no término da campanha e em seus primeiros discursos depois de eleito.

O estudo também chegou a conclusões parecidas em relação a outras notícias falsas compartilhadas pela campanha do militar. De acordo com a pesquisa, 98,21% dos eleitores de Bolsonaro entrevistados foram expostos a uma ou mais mensagens com conteúdo falso.

Segundo o levantamento, 40% das pessoas ouvidas disseram ter mudado de posição nas últimas semanas de “oposição ou com dúvidas sobre” Bolsonaro para “decididos” ou “considerando votar” nele. Isso no mesmo período em que essas notícias falsas atingiram o ápice de popularidade nas redes.

Outra fake news usada e que teve crédito por boa parte dos eleitores de Bolsonaro é a que afirmava que haveria fraude nas urnas eletrônicas. Para 74% dos seguidores do militar, essa informação era verdadeira. Outra notícia falsa que confundiu os apoiadores de Bolsonaro foi a que atribuía a Haddad a defesa da prática do incesto e da pedofilia (74,6%).

Confira aqui a pesquisa completa