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11 de janeiro de 2019, 18h03

Petrobras violou plano de cargos para promover “amigo particular” de Bolsonaro, diz federação

De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), Plano de Cargos e Remuneração (PCR) da Petrobras proíbe o tipo de "promoção" dada a Carlos Victor Guerra Nagem, que agora é um funcionário tipo "sênior", abaixo apenas da diretoria

Reprodução
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou uma nota, na tarde desta sexta-feira (11), em que questiona a indicação do “amigo pessoal” de Jair Bolsonaro, Carlos Victor Guerra Nagem, para a gerência executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras. De acordo com a Federação, o próprio Plano de Cargos e Remuneração (PCR) da estatal veda este tipo de “promoção”. A empresa defende a indicação de Nagem e alega que o amigo do Bolsonaro trabalha há 11 anos na Petrobras e tem o currículo adequado para a vaga. “Escolhi a melhor pessoa que entrevistei”, afirmou o presidente da Petrobras, Roberto Castello...

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou uma nota, na tarde desta sexta-feira (11), em que questiona a indicação do “amigo pessoal” de Jair Bolsonaro, Carlos Victor Guerra Nagem, para a gerência executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras.

De acordo com a Federação, o próprio Plano de Cargos e Remuneração (PCR) da estatal veda este tipo de “promoção”.

A empresa defende a indicação de Nagem e alega que o amigo do Bolsonaro trabalha há 11 anos na Petrobras e tem o currículo adequado para a vaga. “Escolhi a melhor pessoa que entrevistei”, afirmou o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.

A FUP destaca, no entanto, que o PCR da empresa não altera cargos de acordo com títulos ou qualificações, mas sim por “entregas” e outros critérios.

“Títulos acadêmicos não justificam aceleração na carreira ou, até mesmo, aumento da remuneração, segundo esclareceu a própria Petrobrás, durante a campanha para implementação do PCR. No documento ‘Perguntas e Respostas sobre o PCR’, a empresa informa que ‘a proposta do PCR é avaliar as pessoas por suas entregas e não por suas titulações'”, diz a nota da federação.

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Diante da repercussão negativa de mais uma nomeação “amiga”, Bolsonaro chegou até mesmo a fazer “piada” com a imprensa. “Peço desculpas à grande parte da imprensa por não estar indicando inimigos para postos em meu governo!”, tuitou o presidente.

Confira, abaixo, a íntegra do texto da FUP sobre a “promoção” de Carlos Victor Guerra Nagem.

Após promover o filho do vice Mourão no Banco do Brasil, Jair Bolsonaro gera nova indignação ao interferir a favor da indicação de um “amigo particular” para ocupar a Gerência Executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobrás. Para atender ao pedido do presidente, a direção da empresa violou o próprio Plano de Cargos e Remuneração (PCR) e nomeou um profissional pleno para um cargo sênior, triplicando o seu salário.

Carlo Victor Guerra Nagem, o “amigo particular” de Bolsonaro, é capitão-tenente da reserva da marinha e funcionário da Petrobrás há 11 anos, período em que também disputou cargos legislativos pelo PSC, com apoio do presidente eleito. Nesta sexta-feira, 11, em sua conta oficial do twitter, Bolsonaro defendeu a indicação, alegando que o amigo tem um currículo com várias atribuições externas que o qualificam para o cargo.

No entanto, títulos acadêmicos não justificam aceleração na carreira ou, até mesmo, aumento da remuneração, segundo esclareceu a própria Petrobrás, durante a campanha para implementação do PCR. No documento “Perguntas e Respostas sobre o PCR”, a empresa informa que “a proposta do PCR é avaliar as pessoas por suas entregas e não por suas titulações”.

Profissional de nível Pleno da carreira Administrativa, Carlos Victor, também segundo as atribuições de carreira do PCR, teria grandes dificuldades de ocupar uma Gerência Executiva, cujas funções estão diretamente relacionadas às atribuições dos profissionais de nível Sênior. Como profissional Pleno, por exemplo, o novo gerente de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobrás não poderá “representar a companhia em projetos interinstitucionais, respondendo por assuntos técnicos e zelando pela imagem institucional”.

Segundo o PCR, somente profissionais de nível Sênior possuem atribuições no plano de cargo para poder propor “novas formas de organizar, sistematizar e normatizar os trabalhos em que atua”. Já os profissionais de nível Pleno devem tomar decisões “com autonomia em situações não previstas, mas não inéditas”.

Portanto, seguindo as normas do PCR, Carlos Victor ocuparia uma Gerência Executiva da Petrobrás, em um período de transição, sem poder fazer nada de novo. Qual o sentido dessa nomeação, se não favorecer o amigo de Bolsonaro?

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