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25 de Abril de 2014, 21h51

Petroleiros: “Resolvemos sair em defesa da Petrobras”

Para João Antônio Moraes, coordenador-geral da FUP, "usar um agente econômico importante como é a Petrobras, responsável hoje por 11% do PIB, para fazer a disputa política, é temerário para o país"

Para João Antônio Moraes, coordenador-geral da FUP, “usar um agente econômico importante como é a Petrobras, responsável hoje por 11% do PIB, para fazer a disputa política, é temerário para o país”

Por Lucas Reginato

A ministra do STF Rosa Weber decidiu nesta semana que a CPI proposta no Senado deverá ser exclusivamente sobre a Petrobras. A comissão ainda não está instalada, mas a Federação Unificada dos Petroleiros (FUP) há alguns dias já se mobiliza em defesa da empresa. Um ato foi realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta quarta (23) e uma agenda de mobilizações em diferentes estados foi estabelecida.

“Nós entendemos que, na atual conjuntura do país, com ataques por parte da direita e da mídia conservadora em cima da Petrobras, a CPI não tem um caráter de eventualmente corrigir os problemas que possam existir, mas sim de atacar a empresa como um todo e buscar fazer disso um palco para a disputa presidencial”, afirma João Antônio Moraes, coordenador-geral da FUP. “Isso que nós estamos dizendo se comprova até por declarações do candidato Serra há quatro anos, e que se repetiu agora com o Aécio, que disse pessoalmente que, se eleito, pretende retomar os modelos de concessão no pré-sal.”

Moraes destaca dois pontos do que acredita ser hoje a disputa em curso. “Um viés é o econômico, de retomar o projeto de privatizações, mudar a lei da partilha, voltando para a lei de concessão. O outro é a disputa presidencial”, diz. “As duas coisas são muito ruins para o país. Usar um agente econômico importante como é a Petrobras, responsável hoje por 11% do PIB, para fazer a disputa política, é temerário para o país. Por conta disso resolvemos sair em defesa da empresa.”

“Nosso posicionamento é contra a CPI e a favor de investigação pelos órgãos competentes – a Polícia Federal, a Controladoria Geral da República, o próprio Tribunal de Contas, que é um órgão do Legislativo que pode fazer, e faz”, acrescenta Moraes, que elenca ainda os motivos que levam a entidade a se mobilizar para defender a petrolífera. “Os números que a empresa tem são altamente favoráveis se você comparar o que era a Petrobras em 2002 e o que é hoje. Há trinta anos que não se fazia uma refinaria, hoje são duas em construção e mais três em projeto. A Petrobras em 2002 encomendava os navios e plataformas de fora do país, não gerando emprego e renda aqui. Hoje, são 80 mil trabalhadores nos estaleiros, eram 2 mil em 2002. Eles fazem muito ataque na questão de Pasadena, que hoje é uma das refinarias mais lucrativas da Petrobras, taxada como um mau negócio.”

As próximas manifestações públicas da entidade devem acontecer na segunda, 28, em Recife e Salvador. “A tendência é que os sindicatos e os movimentos sociais também se mobilizem”, lembra Moraes, que em Brasília, nesta semana, contou com apoio de entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e a UNE (União Nacional dos Estudantes).

No Rio de Janeiro, os manifestantes se reunirão em frente ao Edifício Sede da Petrobrás (Edise) no dia 15 de maio, e o Edifício Sede da Petrobrás (Edisp) em São Paulo será o ponto de encontro no dia 21 de maio.