14 de junho de 2018, 06h54

PF conclui que Temer comprou o silêncio de Eduardo Cunha

De mãos atadas, investigação não pode oferecer denúncia contra o presidente

Temer. Foto: Lula Marques

A Polícia Federal responsabilizou o presidente Michel Temer pelo crime de obstrução de justiça. O relatório da Operação Cui Bono, que tem como alvo desvios na Caixa Econômica Federal, afirma que o presidente tentou comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em diálogo com o dono da JBS, Joesley Batista. No entanto, protegido pelo foro privilegiado, Temer é apenas citado no texto. A PF terá de aguardar o fim do mandato presidencial para tentar oferecer denúncia conta o emedebista.

Entre os indiciados estão o dono da Gol, Henrique Constantino, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

O relatório da Polícia Federal conclui que “foram verificados indícios suficientes de materialidade e autoria atribuível a Michel Miguel Elias Temer Lulia, Presidente da República no delito previsto no Artigo 2.º, inciso 1, da 12.850/13, por embaraçar investigação de infração penal praticada por organização criminosa”.

O texto da PF expressa o crime do presidente da República ao deixar de levar às autoridades competentes o diálogo travado com o empresário Joesley Batista no Palácio do Jaburu, no dia 7 de março de 2017. Na ocasião, Temer soltou a famosa frase “Tem que manter isso, viu” depois de ouvir de Batista a oferta de pagamento para manter calado o preso Eduardo Cunha.

Em delação premiada, Joesley declarou ter feito o pagamento de R$ 5 milhões pelo silêncio de Eduardo Cunha. Relembre abaixo o relatado pelo empresário.

“O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: ‘Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI’. Falei: ‘Eduardo, pode abrir, não tem problema’. ‘Como não tem problema? Investigar o BNDES, vocês.’ Falei: ‘Não, não tem problema’. ‘Você tá louco?’ Depois de tanto insistir, ele virou bem sério: ‘É sério que não tem problema?’. Eu: ‘É sério’. Ele: ‘Não vai te prejudicar em nada?’. ‘Não, Eduardo.’ Ele imediatamente falou assim: ‘Seu concorrente me paga R$ 5 milhões para abrir essa CPI. Se não vai te prejudicar, se não tem problema… Eu acho que eles me dão os R$ 5 milhões’. ‘Uai, Eduardo, vai sua consciência. Faz o que você achar melhor.’ Esse é o Eduardo. Não paguei e não abriu. Não sei se ele foi atrás. Esse é o exemplo mais bem-acabado da lógica dessa Orcrim.”