08 de novembro de 2018, 14h15

PF diz que deputados do Rio receberam mais de R$ 54 milhões em propinas do governo Sérgio Cabral

Os investigadores dizem que cargos em órgãos públicos eram usados como "moeda de troca" e que os valores da propina chegaram a custear o carnaval da Mangueira. Dez deputados foram presos.

O deputado estadual, Andre Correia, preso durante operação da Polícia Federal (PF chega à seda da PF no Rio de Janeiro. (Agência Brasil)

O superintendente da Polícia Federal, Ricardo Saadi, afirmou na manhã desta quinta-feira (8) que o esquema de compra e venda de votos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) movimentou ao menos R$ 54,5 milhões ao longo do segundo mandato de Sérgio Cabral (MDB) no governo fluminense (2011-2014).

Os investigadores dizem que cargos em órgãos públicos eram usados como “moeda de troca” e que os valores da propina chegaram até mesmo a custear o carnaval da Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio.

Pela manhã, a PF cumpriu mandados de prisão contra 10 deputados estaduais do Rio de Janeiro e mais 12 pessoas em um desdobramento da Operação Lava Jato. Entre os alvos da Operação Furna da Onça também está Affonso Monnerat, secretário de governo de Luiz Fernando Pezão (MDB).

Três dos parlamentares foram presos no ano passado: Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do MDB. São alvos da operação os deputados André Corrêa (DEM), Marcos Abrahão (Avante), Neskau (PTB), Luiz Martins (PDT), Chiquinho da Mangueira (PSC), todos reeleitos este ano, além de coronel Jairo (Solidariedade) e Marcelo Simão (PP), que não conseguiram renovar seus mandatos.

Chiquinho da Mangueira (PSC), que é presidente da escola de samba Mangueira e atualmente corregedor da Alerj, teria recebido mais de R$ 3 milhões e parte do valor teria sido usado para custear o carnaval em 2014.

Também foi alvo da operação o secretário estadual de Governo, Affonso Monnerat, apontado como o canal entre Alerj e Palácio Guanabara. Estão foragidos o presidente do Detran, Leonardo Jacob, e seu antecessor, Vinícius Farah, em cujas gestões, segundo a força-tarefa, lotearam-se cargos como parte das vantagens indevidas.

Houve ainda 47 mandados de busca e apreensão – um foi na Alerj, no prédio anexo; outro no Palácio Guanabara, sede do governo estadual.