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30 de outubro de 2018, 13h31

Pichações no banheiro e chacota de professores: bolsistas se sentem ameaçados em universidade

A frase “2019 UMC sem bolsista comunista” foi escrita em uma porta de um curso de humanas

Foto: Arquivo Pessoal
Alunos bolsistas da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) têm sido alvos de chacota, pichações e postagens preconceituosas desde o primeiro turno das eleições e, com o resultado do segundo turno, a situação se agravou. De acordo com uma estudante do curso de direito, que tem bolsa do Prouni (Programa Universidade Para Todos) e não terá seu nome divulgado por questão de segurança, o clima dentro da instituição é de medo. A estudante afirma que, na semana passada, suásticas foram desenhadas nos banheiros do curso. Agora, uma frase dizendo “2019 UMC sem bolsista comunista” foi escrita em uma porta de...

Alunos bolsistas da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) têm sido alvos de chacota, pichações e postagens preconceituosas desde o primeiro turno das eleições e, com o resultado do segundo turno, a situação se agravou. De acordo com uma estudante do curso de direito, que tem bolsa do Prouni (Programa Universidade Para Todos) e não terá seu nome divulgado por questão de segurança, o clima dentro da instituição é de medo.

A estudante afirma que, na semana passada, suásticas foram desenhadas nos banheiros do curso. Agora, uma frase dizendo “2019 UMC sem bolsista comunista” foi escrita em uma porta de um curso de humanas. “É medonho. Tá bem hostil. A gente sente na pele, tem medo. Eu estou fazendo a minha resistência. Eu falo abertamente, ponho minha cara pra bater. Mas eu não envolvo meus amigos. É meio assustador”, afirma a estudante.

Segundo a jovem, os estudantes bolsistas também viraram chacota de professores dos cursos. De acordo com ela, alguns docentes que são contra o PT se recusam a orientar trabalhos de conclusão de curso de alunos que são contra o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Antes, segundo ela, as piadas eram mais veladas. Mas, agora, os educadores estão fazendo piada dos alunos em suas redes sociais.

A estudante mandou alguns posts dos perfis de dois funcionários da universidade com piadas com alunos que se posicionaram contra o militar. Maria de Lourdes Colacique Silva Leme, por exemplo, que foi identificada pela aluna como coordenadora do curso de direito, publicou a frase: “Por trás da maioria dos jovens eleitores de esquerda tem uma família de direita pagando as contas”. A frase também traz a legenda: “Fato! Muito mimimi e blá blá blá”.

Waldir Teixeira, identificado pela jovem como professor do curso de direito, fez um questionamento em suas redes: “As malas já estão prontas?”.

A reportagem entrou em contato com a universidade para que ela se posicione sobre o assunto. Por telefone, foi dito que a universidade se responsabiliza apenas pelas opiniões que são postadas na página da instituição e que não pode tomar qualquer medida a respeito das postagens dos funcionários. Isso, segundo a instituição, seria censura. Sobre as pichações, a universidade diz que fica difícil saber quem foi o responsável pela ação, já que muitas pessoas frequentam o banheiro todos os dias. Porém, a instituição diz que está investigando o caso e que, caso a pessoa seja identificada, ela irá responder por dano ao patrimônio pelo estatuto da universidade.

Por e-mail, a universidade encaminhou um posicionamento dos alunos da instituição. Leia a íntegra:

“NOTA DE REPÚDIO
Tendo em vista as notícias divulgadas na presente data (30/10/2018), tal como o recente vandalismo ocorrido nos banheiros da Universidade Mogi das Cruzes, nós da Associação Atlética Acadêmica Águia de Haia declaramos nosso TOTAL REPÚDIO a qualquer comentário, simbolo, movimento ou ato que denigra a imagem de qualquer pessoa ou que gere discriminação e ofenda a dignidade da pessoa humana em qualquer espécie.
Independente se os atos de vandalismo foram executados por pessoas que compactuem com pensamentos preconceituosos ou por pessoas que quiseram promover falsas mensagens de ódio pelo campus, todas as atitudes que preguem mensagens de ódio devem ser repudiadas.
Ressaltamos também que sendo futuros operadores do Direito devemos fazer valer o Direito de ampla defesa e do contraditório previsto em nossa Constituição Federal, afirmando que nenhum professor ou coordenador da instituição prega ou divulga mensagens de ódio ou preconceito, nossos professores são éticos e profissionais, fomentam a pluralidade de idéias e discussões, tal como utilizam do seu direito constitucional á livre expressão para se expressar, mas nunca impondo sua opinião ou restringindo a dos demais.
O Corpo docente do curso de Direito da UMC é elemento constituinte dos membros desta A.A.A.A.H., sempre colaborando e tratando seus alunos com total respeito e prezando pelo ambiente pacifico na universidade.
Por fim deve-se valer os direitos e garantias fundamentais e os autores das atrocidades realizadas no campus devem ser identificados e penalizados judicialmente.”

Foto: Reprodução/Facebook

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