28 de julho de 2018, 18h35

Pistoleiros atacam acampamento do MST no Pará e Polícia se nega a agir

O ataque aconteceu nas proximidades do local onde ocorreu o Massacre de Eldorado dos Carajás, na BR-155, quando 21 pessoas ligadas ao MST foram brutalmente assassinadas pela Polícia Federal, em 1996

O Acampamento Hugo Chávez, onde 450 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam a Fazenda Santa Tereza, no município de Marabá, no sudeste do Pará, foi atacado por pistoleiros na madrugada desta sábado (28).

Segundo relatos das famílias que estão no local, por volta da uma da manhã os pistoleiros chegaram atirando e tocando fogo nos pertences e carros que estavam no acampamento. Algumas pessoas também foram agredidas fisicamente, mas até o momento não há informação de nenhum ferido em estado grave. Ao todo, segundo informações do MST, os jagunços queimaram 9 carros e 10 motos.

De acordo com Maria Raimunda, da direção estadual do MST e que está à caminho da área, o movimento procurou a Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) de Marabá para denunciar e intervir no conflito. “Eles disseram que havia ordem de comando superior de que não poderiam agir, mesmo que houvesse uma carnificina”, conta Raimunda. Há suspeitas de que policiais também tenham participado da ação.

Para Maria Raimunda, a ação dos fazendeiros na região tem se intensificado no último período, principalmente após o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016. “Faz 15 dias que o [Jair] Bolsonaro (pré-candidato à presidência da República pelo PSC) esteve na curva do ‘S’. Durante o palanque ele incentivou que os fazendeiros matassem os sem-terra”, relata Raimunda.

A curva do ‘S’ é o local onde ocorreu o Massacre de Eldorado dos Carajás, na BR-155, quando 21 pessoas ligadas ao MST foi brutalmente assassinada pela Polícia Federal, em 1996.

Com informações do Brasil de Fato