07 de agosto de 2018, 17h04

Polícia identifica suspeito de ameaçar professora da UnB de morte

Debora Diniz foi ameaçada por grupos antiaborto e temendo "as ameaças saíssem da internet para a vida real", a advogada Vitória Buzzi entrou com medidas legais para proteger a docente da UnB.

(Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

A Polícia Civil do Distrito Federal identificou no Paraná o suspeito de ameaçar pela internet a professora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Diniz. Ela chegou a deixar o DF após as postagens agressivas, em julho. O homem tem 42 anos irá responder em liberdade por injúria e ameaças. Para chegar ao suspeito, a polícia do DF rastreou o IP – número de identificação – do computador de onde partiram as ameaças. O nome dele não foi informado.

“Foram ofensas à honra, com palavras de baixo calão, seguidas de falas de que pessoas como ela [pesquisadora] deveriam sangrar até morrer.” Morador de São José dos Pinhais (PR), o homem vive  com a mãe idosa e não exerce atividade remunerada. Os policiais chegaram até ele na semana passada, mas o desfecho das investigações foi divulgado apenas nesta segunda-feira (6).

O resultado das investigações foi enviado ao Ministério Público, que pode oferecer denúncia. Caso a denúncia seja aceita, a pena prevista é de dois a quatro anos de prisão. A defesa do suspeito não se pronunciou. Já a defesa de Débora Diniz disse que está colaborando com a Justiça e “tomando as medidas cabíveis aos fatos”. A advogada Vitória Buzzi decidiu denunciar o caso à polícia por “temer que as ameaças saíssem da internet para a vida real”.



Em depoimento, o homem permaneceu calado. No entanto, a polícia disse que, em conversas informais, ele teria dito “não concordar com o posicionamento da professora”. Segundo a polícia, ele tem passagens por delegacias do Paraná por lesão corporal e porte ilegal de arma. As investigações comprovaram também a ligação dele com um grupo de extrema-direita na região.

A pesquisadora Débora Diniz foi considerada pela revista norte-americana “Foreign Policy” um dos 100 pensadores globais de 2016, pelo trabalho sobre as grávidas que contraíram o vírus da zika. Atualmente, ela também é reconhecida por estar à frente do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis).

Nesta segunda (6), ela participou do segundo dia de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. A UnB divulgou uma carta de apoio assinada pela reitora Márcia Abrahão. No texto, a diretora da instituição diz que episódios como esses “atentam contra direitos humanos e liberdades fundamentais”.