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31 de outubro de 2012, 10h49

Polícia que massacra

Seis pessoas foram mortas hoje, ontem foram oito, todos reféns da pobreza, mortos por estar na periferia. Seus rostos não são mostrados, suas histórias não são contadas, pois não tinham sonhos, nem futuro

Seis pessoas foram mortas hoje, ontem foram oito, todos reféns da pobreza, mortos por estar na periferia. Seus rostos não são mostrados, suas histórias não são contadas, pois não tinham sonhos, nem futuro

Por Ferréz

A contagem de corpos continua. Essa madrugada, seis mortos, entre eles dois moradores de rua, é fácil, eles deviam ser do PCC, e estavam despistando morando na rua há tantos anos. A covardia vai sempre para os mais fracos, e quem pode falar não deve ficar em silêncio, cadê o amor à periferia? Nessa hora que somos mais úteis, mais necessários, e temos que fazer nossa parte.

Um jovem de 19 anos na Zona Sul, um carro preto disparando, o mesmo perfil, pistola 380, mais uma mãe que chora. Lá na Zona Oeste, um homem fechando o bar, o mesmo carro preto e três homens atirando. Alckmin, em suas declarações, deu o ponto de resposta da polícia, e quem paga é o povo, ou vocês francamente acham que tem algum grande criminoso na favela de Paraisópolis que foi ocupada e está sendo martirizada nesse momento? São 600 homens da Tropa de Choque da PM. O objetivo é asfixiar o tráfico de drogas e causar prejuízos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação na segunda maior favela de São Paulo deve durar pelo menos um mês. Para de fato causar algum prejuízo, tinha que ter a mesma quantidade de homens no Alto de Pinheiros, na Oscar Freire e na Vila Olímpia.

O que está acontecendo é que as execuções de policiais são seguidas por ações de “grupo de extermínios” que saem atirando em bares, suspeitos, supostos criminosos ou qualquer um que pareça suspeito, se estiver de boné e se for negro piorou. Seis pessoas foram mortas hoje, ontem foram oito, todos periféricos, reféns da pobreza, mortos por estar na periferia. Seus rostos não são mostrados, suas histórias não são contadas, pois não morreram em área nobre, não tinham sonhos, nem futuro. A investigação vai seguir também da mesma forma, sem dar importância, colocando todo mundo no mesmo pacote. Os rostos ricos, brancos, bem nutridos dos jornalistas continuam repetindo a mesma morte de PM para comover a massa e legitimar a ação covarde do governo.