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09 de janeiro de 2014, 19h38

Policiais aposentados de NY são acusados de fraude milionária por fingir trauma pós-11/9

Eles estão sendo processados por receber ilicitamente milhões dos cofres públicos dos EUA após atentados de 2001

 Eles estão sendo processados por receber ilicitamente milhões dos cofres públicos dos EUA após atentados de 2001 Por Felipe Amorim, em Opera Mundi Após conseguir aposentadoria por invalidez, traumatizado pelos ataques de 11/9, o oficial William Bratton posta foto em jet skiFonte: Manhattan District Attorney’s Office/Reprodução Dezenas de policiais e bombeiros aposentados da cidade de Nova York estão sendo acusados de fraude por fingir problemas psiquiátricos graves como consequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001. O escândalo deflagrado na última terça-feira (07/01) pelo procurador do distrito de Manhattan, Cyrus R. Vance Jr., indica que pelo menos metade dos...

 Eles estão sendo processados por receber ilicitamente milhões dos cofres públicos dos EUA após atentados de 2001

Por Felipe Amorim, em Opera Mundi

Após conseguir aposentadoria por invalidez, traumatizado pelos ataques de 11/9, o oficial William Bratton posta foto em jet ski
Fonte: Manhattan District Attorney’s Office/Reprodução

Dezenas de policiais e bombeiros aposentados da cidade de Nova York estão sendo acusados de fraude por fingir problemas psiquiátricos graves como consequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001. O escândalo deflagrado na última terça-feira (07/01) pelo procurador do distrito de Manhattan, Cyrus R. Vance Jr., indica que pelo menos metade dos 80 oficiais indiciados usaram os ataques da Al Qaeda como falso pretexto para se aposentar por invalidez e receber milhões dos cofres públicos norte-americanos.

“Eles desonraram a si mesmos e envergonharam suas famílias”, comentou William Bratton, comissário da Polícia, responsável pelo caso, em uma entrevista coletiva na qual o escândalo foi apresentado e fotos dos oficiais “incapacitados” foram expostas. “Durante anos, os impostores fabricaram cinicamente distúrbios mentais, desonrando aqueles que primeiro cumpriram com suas tarefas e serviram à cidade às custas de sua saúde e segurança”, afirmou o procurador Vance Jr.

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Um dos acusados, Glenn Lieberman, recebeu US$ 176 mil (cerca de R$ 420 mil) da Previdência Social após afirmar que os eventos de 11 de Setembro o deixaram tão traumatizados e desfuncional que ele mal podia dirigir, fazer compras ou mexer com dinheiro. Contudo, uma foto postada por ele próprio nas redes sociais mostra Lieberman pilotando um jet ski, estampando um largo sorriso e mostrando o dedo do meio com as duas mãos para a câmera.

Um outro policial aposentado, Richie Cosentino, embolsou mais de US$ 207 mil (quase R$ 500 mil) do governo norte-americano sob o mesmo pretexto: stress e trauma pós-11/9. Em seu perfil no Facebook, Cosentino publicou uma foto segurando um grande peixe que havia acabado de pescar. “Dia incrível no mar da Costa Rica”, ele legendou. A data da foto: 11 de setembro de 2012, onze anos após os atentados que supostamente o teriam deixado incapacitado para exercer suas funções como policial.

Como fingir depressão

Em 11 de setembro de 2012, policial acusado de fraude Richie Cosentino posta foto em rede social após pescaria na Costa Rica
Fonte: Manhattan District Attorney’s Office/Reprodução

De acordo com os procuradores responsáveis, o caso é apenas o primeiro estágio de uma enorme investigação. Suspeita-se que o esquema vinha sendo empregado por mais de 25 anos, envolvendo milhares de pensionistas fraudulentos e algo como US$ 400 milhões recebidos ilicitamente (quase R$ 1 bilhão). Até o momento, as 102 pessoas que estão sendo processadas — 22 civis e 80 oficiais aposentados — acumularam US$ 21,4 milhões (cerca de R$ 51 milhões).

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A investigação teve início depois que procuradores da Previdência Social perceberam que inúmeros policiais aposentados por invalidez e distúrbios psiquiátricos haviam requisitado licenças para portar arma de fogo. Mais tarde, notaram que, ao descreverem seus sintomas, os oficiais “inválidos” seguiam um mesmo roteiro:

• Eu fico cochilando durante o dia…

• Deixo a TV ligada para me fazer companhia…

 Eu era uma pessoa saudável, ativa e produtiva…

• Agora mal consigo dormir durante a noite…

• O meu [coloque aqui um membro da família] está sempre cuidando de mim e do meu luto…

• Sou incapaz de cumprir qualquer tipo de atividade dentro ou fora de casa...

Esmiuçando o caso, as autoridades perceberam que sempre era contratado o mesmo advogado para atestar a incapacidade clínica dos oficiais. Descobriram também que um policial membro do esquema fora destacado para “treinar” os colegas que também queriam abocanhar a pensão ilícita. Uma chamada telefônica interceptada, mostra que o oficial Joseph Esposito “ensinava” como portar-se diante das entrevistas feitas pelos funcionários da Polícia e da Previdência Social.

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“Quando você for ver o médico, ele vai te perguntar coisas. Ele não vai tentar te enganar, não. Quer só ver se você consegue se concentrar”, explicava Esposito na ligação grampeada. “Quando você estiver conversando com a pessoa, não olhe diretamente. Fique de cabeça baixa, não responda prontamente. Sabe, espere um instante. Mostre a ele que você está deprimido, que não tem desejo por nada”, instruía o agora réu.

 

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