Presa, Cristiane Brasil já brigou com folião por grito de "Lula Livre": "Nem Fudendo"

Ruggeron Caetano, que interpelou a ex-deputada passeando pela Sapucaí durante o desfile da Mangueira de 2019, afirma que a filha de Roberto Jefferson representa o "extremo oposto" do que a escola de samba contava

Cristiane Brasil | Foto: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
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Marquês da Sapucaí, desfile da Estação Primeira de Mangueira, 5 de março de 2019. Enquanto a verde-e-rosa fazia um desfile memorável colocando em questão a história oficial do Brasil e defendendo os heróis que não estão no retrato, como a vereadora assassinada Marielle Franco, um bate-e-boca acontecia entre a ex-deputada federal Cristiane Brasil, presa nesta sexta-feira, e um folião que acompanhava a festa da campeã daquele carnaval.

Extasiado com o "na luta é que a gente se encontra" que passava na Avenida, o publicitário e youtuber Ruggeron Caetano (no Twitter, @afrolatinocae) se incomodou com a passagem da parlamentar com camisa de diretoria - o que é comum de ser conseguido por "autoridades" - em meio àquele desfile contestatório. Meses antes, Brasil havia tentado se tornar ministra do Trabalho, mesmo com dívidas trabalhistas sobre suas costas. Filha do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, ela também apoiou o golpe de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e figurava, agora em 2020, como potencial representante do bolsonarismo nas eleições municipais de novembro.

"Lula Livre", berrou Ruggeron. "Nem fudendo", respondeu a ex-deputada, furiosa. "Em breve teu pai volta pra cadeia", finalizou o youtuber. Brasil não virou para trás e seguiu caminhando ostentando sua camisa de diretoria durante um desfile que talvez questionasse parte do que ela representa, pelo menos segundo Ruggeron.

Em entrevista à Fórum, o publicitário exaltou o espetáculo promovido pela Mangueira, que, para ele, "representava o extremo oposto do que gente como ela representa" e criticou os laços de Cristiane Brasil com a Família Bolsonaro.

"Era uma celebração da verdadeira história do Brasil, de luta de pretos, indígenas, camponeses, povos da floresta e trabalhadores urbanos. não a contada pelo liberalismo tacanho, branco e patriarcal que comanda a nossa política e que vê os bandeirantes como heróis desbravadores como disse um famoso filósofo brasileiro em seu twitter. Cristiane, Jefferson, Crivella, Bolsonaros e cia são representantes dessa 'história oficial' que, quem não faz parte, sabe que é mentira", afirmou.

Apesar do conflito com ex-parlamentar e a visão política oposta, Ruggeron viu a operação com certa preocupação. "É um sentimento misto de ver uma pessoa que sempre trabalhou contra o povo sendo tirada do contexto político-eleitoral, o que me traz alegria, mas medo da escalada do lawfare pré-eleitoral, sem saber direito quem está se beneficiando disso", declarou.

"A gente sabe que o Roberto Jefferson, que é pai dela, virou o guarda costas oficial do Jair e Cia nas negociações com o congresso. Então tanto ela, quanto Crivella (que é do partido de alguns dos filhos do presidente) estavam disputando um apoio informal do mesmo aqui no Rio. Esse tipo de operação mostra que algum racha interno da direita pode estar acontecendo longe dos nossos olhos", finalizou.

O repórter que escreveu esse texto assistiu à cena, ao vivo, em 2019, com a certeza de que aquele curioso episódio seria lembrado como mais um "causo" do Carnaval do Rio de Janeiro. No entanto, não imaginou que, dois anos depois, Cristiane Brasil seria presa, com Lula livre. Por pouco, Ruggeron não acerta completamente o prognóstico.

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