31 de janeiro de 2018, 09h31

Por que 1964 era feio e 2016 é bacana?

Como agora o diabo veste toga, fala línguas, viaja pelo primeiro mundo, sabe se comportar e não dá vexame com os talheres e com o vinho, não há problema algum. Além do que, está tudo dentro da lei, dos incisos, dos parágrafos, das alíneas.

Como agora o diabo veste toga, fala línguas, viaja pelo primeiro mundo, sabe se comportar e não dá vexame com os talheres e com o vinho, não há problema algum. Além do que, está tudo dentro da lei, dos incisos, dos parágrafos, das alíneas.

Por Gilberto Maringoni*

Gente como Fernando Henrique Cardoso, Bóris Fausto, Fernando Gabeira, Zuenir Ventura e outros do mesmo naipe foram contra o golpe de 1964 – e à ditadura que se seguiu – por um problema, ao que parece, estético.

Explica-se: seus promotores principais eram os militares.

Era uma gente tida por nossa nobiliarquia como grossa, inculta, monoglota e que lia aos tropeços as ordens do dia. Alguns eram até cabeças-chatas, como Castello Branco.

Como agora o diabo veste toga, fala línguas, viaja pelo primeiro mundo, sabe se comportar e não dá vexame com os talheres e com o vinho, não há problema algum. Além do que, está tudo dentro da lei, dos incisos, dos parágrafos, das alíneas.

Atualmente quem é grosso, ignorante e não muito branco é o outro lado, é o Lula.

Golpe assim não é golpe. Dá gosto apoiar.

Filhos da puta!

*Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC. É também jornalista e cartunista

Foto: Reprodução