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11 de Março de 2014, 11h10

Por que greves não devem ser graves

O comportamento da prefeitura do Rio de Janeiro e da imprensa foi vergonhoso, abjeto. Tentaram desmerecer a causa, o trabalho, a função e, principalmente, a reivindicação da categoria Por Política for Dummies. Foto em destaque: Mídia Ninja. Gente, o troço é antigo mas é assim que funciona até hoje: A pinimba é sempre Capital X […]

O comportamento da prefeitura do Rio de Janeiro e da imprensa foi vergonhoso, abjeto. Tentaram desmerecer a causa, o trabalho, a função e, principalmente, a reivindicação da categoria

Por Política for Dummies. Foto em destaque: Mídia Ninja.

Gente, o troço é antigo mas é assim que funciona até hoje:

A pinimba é sempre Capital X Trabalho (eu avisei que a nomenclatura era antiga, fica quieto antes que você ganhe um pedale, ameba!). O Capital entra com a remuneração e com a oferta de emprego para ter lucro, e o Trabalho entra com a mão-de-obra raladora (também podia ser: o Capital faz canto e dança, e o Trabalho carrega o piano).

Daí que quando o Capital quer negociar com o trabalho, por deter o $, sempre leva vantagem na negociação. Mas quando o Trabalho não está satisfeito com a remuneração e pretende negociar com o Capital, a única maneira de que dispõe é da negociação a partir da não-oferta de sua mão-de-obra.

3mar2014---cerca-de-200-garis-se-reuniram-na-frente-da-estacao-central-do-brasil-no-centro-do-rio-de-janeiro-onde-realizaram-uma-assembleia-sobre-a-greve-que-realizam-na-cidade-dos-cerca-de-15-mil-1393866962749_956x500Com isso, o trabalho mostra não só ao capital mas também a quem se beneficia de sua mão-de-obra o quanto ele (Trabalho) é imprescindível, e como sua parte no quinhão social deve ser respeitada e considerada, caso contrário babau. Há quem chame de chantagem, e não deixa de ser. Mas funciona.

Agora vamos transpor essa tática aí de cima pra pinimba garis X prefeitura do Rio de Janeiro:

1- Garis ganham uma merda um salário muito baixo. Garis querem aumento

2- Garis tentam negociar com prefeitura. Prefeitura se recusa.

3- Garis entram em greve. Deixam de fornecer à cidade do Rio de Janeiro sua mão-de-obra sistemática. Querem que a cidade entenda e sinta como seu trabalho é importante e imprescindível.

{6cc30fdb-b6a4-48bd-8f2e-08da23b4baf2}_24- Cidade sofre com as conseqências da falta do trabalho sistemático dos garis. * Cidade reclama da falta do trabalho dos garis. Cidade acha que gari não deveria parar de trabalhar nunca. O prefeito idiota demite 300 garis que têm estabilidade no emprego garantida por concurso público. O prefeitoimbecil afirma que apenas 300 garis estão em greve – mas a realidade cascônica da cidade refuta tal afirmação.

5- A situação chega a um nível insustentável. A pressão dos garis paralisados funciona.

6- Prefeitura dá aumento que garis pediam.

7- Fim da greve dos garis.

O comportamento da prefeitura do Rio de Janeiro e da Imprensa foi vergonhoso, abjeto. Tentaram desmerecer a causa, o trabalho, a função e, principalmente, a reivindicação da categoria. E se ferraram bonito.

Não vou entrar aqui em questões de casa grande X senzala, racismo, mentalidade escravocrata dazelite etcetcetcetc. A linda da Renata Lins já fez isso de forma primorosa. Vou me ater a pensar aqui cocêistudo o conceito de greve na sociedade atual.

A imprensa brasileira segue uma irritante fórmula para noticiar greves.  Todas as manchetes saem mais ou menos assim:

[insira aqui o nome da categoria] entra em greve e prejudica [insira aqui o nome da parte da população prejudicada pela greve]

Isso me irrita por alguns motivos:

1- Greves são decididas com antecedência. Portanto, não havia repórter cobrindo a categoria no momento em que a greve foi decidida. Muito menos aparece reportagem que avise a população coisas como: “Semana que vem os carteiros devem entrar em greve, antecipe todo o envio de cartas que você tiver que fazer para não ser tão prejudicado”.

2- Na hora de noticiar, sempre um tom de espanto, surpresa. Como se a greve não fosse previsível.

3- Além do espanto, só um lado da notícia é mostrado:o lado de quem perde com a falta do trabalho. Nunca, jamais, se conta por que a categoria entrou em greve, ou por que a reivindicação da categoria procede.

4- No caso de categorias com data-base fixa, ou seja, aquelas que sempre têm negociação na mesma época do ano, e que sempre entram em greve na mesma época do ano, a coisa é ainda mais irritante.

Tomemos os bancários como exemplo: a data-base é em outubro/novembro (repare que greve de bancário sempre ocorre nessa época do ano). Issos significa que a negociação do sindicato dos bancários com a Fenaban, o lado dos bancos, em JULHO. E a Fenaban (que reúne instituições que, ao longo do ano, anunciam lucro de bilhões de reais), afirma que não tem dinheiro e que não vai dar aumento. [pausa para você rir]. E a negociação vai até as últimas consequências, até que o sindicato, que está há TRÊS MESES negociando com a Fenaban, não vê outra saída que não convocar greve. Dá pra brincar de bingo, porque a situação se repete TO-DO-A-NO.

Aí começam as manchetes infames: “Bancários entram em greve e prejudicam aposentados / Bancários em greve prejudicam população”.

Agora me ajudem: como fazer para que o direito de greve seja compreendido e respeitado pela polulação?

E como terminar esse texto? Tô com a impressão de que não me fiz entender…

(Aguardo os comentários! :D )

Original aqui