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08 de janeiro de 2019, 23h01

Prêmio que seria entregue a Angela Davis é revogado após pressão de grupos pró-Israel

Instituto de Direitos Civis de Birmingham mudou de ideia depois de "exame mais atento das declarações" da ativista

Reprodução
Por Brasil de Fato  O Instituto de Direitos Civis de Birmingham (BRCI), com sede no Alabama, Estados Unidos, revogou a decisão de entregar a Angela Davis o Prêmio de Direitos Humanos Fred L. Shuttlesworth em fevereiro. O motivo da decisão, segundo o prefeito de Birmingham, Randall Woodfin, foi o posicionamento da ativista contra o massacre cometido por Israel, em conflito com a Palestina. Nascida no município, Davis tem 74 anos, integrou o Partido Comunista dos Estados Unidos e o Partido dos Panteras Negras, foi presa injustamente e absolvida dezoito meses após o julgamento. Candidata a vice-presidenta do país em 1980 e 1984, ela é uma das...

Por Brasil de Fato 

O Instituto de Direitos Civis de Birmingham (BRCI), com sede no Alabama, Estados Unidos, revogou a decisão de entregar a Angela Davis o Prêmio de Direitos Humanos Fred L. Shuttlesworth em fevereiro. O motivo da decisão, segundo o prefeito de Birmingham, Randall Woodfin, foi o posicionamento da ativista contra o massacre cometido por Israel, em conflito com a Palestina.

Nascida no município, Davis tem 74 anos, integrou o Partido Comunista dos Estados Unidos e o Partido dos Panteras Negras, foi presa injustamente e absolvida dezoito meses após o julgamento. Candidata a vice-presidenta do país em 1980 e 1984, ela é uma das ativistas de direitos humanos mais influentes do planeta e apoia a campanha “Boicote, desinvestimento e sanções”, que luta pelo fim da ocupação e da colonização dos territórios palestinos, pela igualdade de direitos para os cidadãos árabes de Israel e pelo retorno dos refugiados palestinos a suas casas.

Reviravolta

Desde o fim do ano passado, tornou-se público que grupos pró-Israel estariam trabalhando de maneira coordenada para impedir a premiação.

Em outubro de 2018, a presidenta e diretora-executiva do BRCI, Andrea Taylor, havia declarado que o Instituto estava “encantado de outorgar esta honra” a Davis, reconhecida a nível mundial por sua capacidade de “dar voz” àqueles que não têm condições de serem ouvidos. No último sábado (5), porém, o BRCI emitiu um comunicado informando que, desde dezembro, “simpatizantes e outras organizações interessadas” pediam que a entidade reconsiderasse à decisão.

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Naquele documento, o Instituto alega que, “após um exame mais atento das declarações de Davis (…), chegamos à conclusão de que, lamentavelmente, ela não cumpre com todos os critérios em que se baseia o prêmio”.

A mudança de posicionamento repercutiu rapidamente entre ativistas de direitos humanos e defensores da soberania do Estado Palestino. Prefeito do município onde seria entregue o prêmio, Woodfin qualificou a decisão do BRCI como “reativa” e “divisiva”.

Davis não se pronunciou sobre o caso.

 

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