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10 de setembro de 2013, 16h45

Presidenta do Sindidomésticas processa Micheline Borges

Jornalista potiguar afirmou que médicas cubanas tem "cara de empregada doméstica". Ação de danos morais cobra R$ 27 mil

Jornalista potiguar afirmou que médicas cubanas tem “cara de empregada doméstica”.  Ação de danos morais cobra R$ 27 mil

Da Redação

Reprodução

A presidenta do Sindidoméstica (Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos da Grande São Paulo), Eliana Gomes de Menezes, entrou com uma ação de danos morais contra a jornalista potiguar Micheline Borges, que afirmou no Facebook que as médicas cubanas contratadas pelo Programa Mais Médicos “tem uma cara de empregada doméstica”.

“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma Cara de empregada doméstica. Será que São medicas Mesmo??? Afe que terrível. Medico, geralmente, tem postura, tem cada de medico, se impõe a partir da aparência….. Coitada da nossa população. Será que eles entendem de dengue? E febre amarela? Deus proteja O nosso Povo!”, diz o texto publicado pela jornalista na rede social. Posteriormente, em um comentário na mesma publicação, Micheline afirmou que não gostaria de ser atendida por pessoas “descabeladas, de chinelos e sem lavar a cara”.

Após a repercussão negativa de sua declaração na internet, Micheline publicou um pedido de desculpas e deletou seu perfil nas redes sociais. “Foi um comentário infeliz, foi mal interpretado, era para ser uma brincadeira, por isso peço desculpa para as empregadas domésticas”, escreveu.

Menezes diz que representa todas as empregadas domésticas do Brasil na ação, uma vez que atuou na profissão e conhece todos os rótulos e preconceitos enfrentados por essa classe de trabalhadoras. “Micheline Borges menospreza a potencialidade das médicas cubanas e trata com desprezo e discriminação as nossas empregadas domésticas”, diz a presidenta do Sindidoméstica.

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Na ação, é citado o artigo do jurista Luiz Flávio Gomes, na qual o mesmo afirma que “a declaração [de Micheline] foi feita com base na ‘cara’ das médicas, caras negras ou pardas escuras, caras essas que os arianos (como Hitler) discriminam como feias ou malvadas”.

O processo foi encaminhado para a na 1ª Vara do Juizado Especial Cível de Vergueiro, em São Paulo. A ação possui assessoria jurídica da Federação das Empregadas e Trabalhadores Domésticos do Estado de São Paulo, a qual o Sindidoméstica é filiado.

“A Federação das Empregadas e Trabalhadores Domésticos do Estado de São Paulo e sindicatos filiados não admitem que preconceitos, discriminações, descasos, maus tratos, injustiças, continuem tão arraigadas na mentalidade dos cidadãos brasileiros (…) É imprescindível absorver as mudanças e notar que o Brasil não é feito de brancos, negros, amarelos, vermelhos, mas sim, da miscigenação de todos esses povos. O país desenvolveu em tantos aspectos desde seu descobrimento, mas a sociedade não conseguiu acompanhar esses avanços”, posiciona-se a entidade.

De acordo com Camila Ferrari, assistente jurídica da federação, não foi definido ainda se a jornalista será ouvida em São Paulo, ou se a ação será encaminhada para o Rio Grande do Norte, de onde Micheline postou a ofensa.

Com informações da Carta Capital.