14 de março de 2019, 18h46

Presidente da Bolívia se solidarizou com brasileiros mais de três horas antes do presidente do Brasil

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi criticado por levar seis horas para se manifestar sobre o atentado que culminou em 10 mortes em uma escola pública de Suzano; duas horas após a tragédia, Evo Morales já prestava condolências aos brasileiros

Reprodução
Incentivador do uso de armas, o presidente Jair Bolsonaro foi criticado por inúmeros políticos pela sua postura diante do atentado ocorrido em uma escola pública de Suzano, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (13). O capitão da reserva demorou mais de 6 horas após o massacre para fazer uma postagem genérica em que presta condolências às famílias das vítimas. Presto minhas condolências aos familiares das vítimas do desumano atendado ocorrido hoje na Escola Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Uma monstruosidade e covardia sem tamanho. Que Deus conforte o coração de todos! — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 13...

Incentivador do uso de armas, o presidente Jair Bolsonaro foi criticado por inúmeros políticos pela sua postura diante do atentado ocorrido em uma escola pública de Suzano, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (13). O capitão da reserva demorou mais de 6 horas após o massacre para fazer uma postagem genérica em que presta condolências às famílias das vítimas.

Essa, inclusive, foi a única postagem de Bolsonaro sobre o crime que chocou o país.

Leia também
Massacre em escola é o estopim do imaginário pró-armas de Bolsonaro, diz especialista

Enquanto Bolsonaro se omitia, o chefe de Estado de outro país prestava solidariedade aos brasileiros. Às 12h30, duas horas depois do ataque, o presidente boliviano Evo Morales usou o Twitter para condenar o ocorrido, oferecer sua solidariedade aos familiares das vítimas e criticar o inventivo ao uso de armas encampado pelo governo de Jair Bolsonaro.

“Condenamos o tiroteio em uma escola do Brasil que deixou vários mortos, incluindo menores. Nossas condoências, em nome do povo boliviano, às famílias das vítimas. Somos um país pacífico que sabe que o uso de armas não solucionará nada e gerará mais violência”, escreveu o mandatário.

Reação parlamentar 

Enquanto parlamentares do campo progressista lamentaram as mortes e propuseram debates sobre um maior controle de armas de fogo no país para evitar novas tragédias, deputados governistas e correligionários de Jair Bolsonaro, responsável pelo decreto que facilitou a posse de armamentos, em sua maioria, se calaram. Os que fizeram pronunciamentos se limitaram a lamentar as mortes ou ainda associar o atentado ao “fracasso do Estatuto do Desarmamento”, defendendo ainda mais armas.

Foi o que fizeram os senadores Flávio Bolsonaro e Major Olimpio, ambos do PSL do presidente. “Mais uma tragédia protagonizada por menor de idade e que atesta o fracasso do malfadado estatuto do desarmamento, ainda em vigor”, escreveu Flávio.

“Enquanto as armas forem ilegais, apenas os ilegais terão armas! Fracasso e safadeza da “farsa da política desarmamentista” que armou criminosos e impediu a legítima defesa”, postou Olimpio.

Já os deputados da oposição e do campo progressista procuraram, ao comentar o atentado em Suzano, ampliar a discussão para evitar novas tragédias. Em sintonia, a maioria deles defendeu um maior controle de armas de fogo.

“Toda solidariedade às vítimas da escola de Suzano. Tragédias como essa resultam do incentivo à violência e à liberação do uso de armas. O Brasil precisa de paz”, disse Gleisi Hoffmann (PT-SP).

Na mesma linha foi a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “A quem interessa um país dividido pelo ódio e armado? Quantas tragédias mais teremos que viver? Quando haverá paz para as famílias destroçadas pela violência? Armas não são a solução”, postou.

Já Alessandro Molon (PSB-RJ), criticou a demora de Bolsonaro para se pronunciar sobre a tragédia. “Infelizmente, de Bolsonaro e de seus canais oficiais, nenhuma palavra ainda. É ensurdecedor o silêncio do Presidente da República sobre esta tragédia”.