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06 de novembro de 2018, 11h05

Preterida por Bolsonaro, Globo usa articulistas para criticar proposta de relações exteriores

Nesta terça-feira (6), o jornal O Globo, principal veículo doutrinário do grupo, estampou em sua manchete análises de Merval Pereira, Miriam Leitão e José Casado sobre a "falta de clareza do programa de governo apresentado na campanha e as declarações contraditórias" sobre propostas de Bolsonaro.

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Preterida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) – que claramente dá preferência à Record, do bispo Edir Macedo, em suas ações na mídia -, as organizações Globo tem usado articulistas e colunistas para tecer críticas às propostas do militar da reserva. Nesta terça-feira (6), o jornal O Globo, principal veículo doutrinário do grupo, estampou em sua manchete “Declarações de Bolsonaro sobre política externa acendem alerta, analisam colunistas do Globo“, com análises de Merval Pereira, Miriam Leitão e José Casado sobre a “falta de clareza do programa de governo apresentado na campanha e as declarações contraditórias”, que deixam “incertezas” na condução...

Preterida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) – que claramente dá preferência à Record, do bispo Edir Macedo, em suas ações na mídia -, as organizações Globo tem usado articulistas e colunistas para tecer críticas às propostas do militar da reserva.

Nesta terça-feira (6), o jornal O Globo, principal veículo doutrinário do grupo, estampou em sua manchete “Declarações de Bolsonaro sobre política externa acendem alerta, analisam colunistas do Globo“, com análises de Merval Pereira, Miriam Leitão e José Casado sobre a “falta de clareza do programa de governo apresentado na campanha e as declarações contraditórias”, que deixam “incertezas” na condução da política externa de Bolsonaro.

Merval Pereira, membro do Conselho Editorial e uma das vozes que dá as diretrizes na cobertura política das Organizações Globo, diz que “é preocupante o rumo que Jair Bolsonaro parece querer imprimir à política externa, que poderá por em risco a credibilidade das instituições brasileiras e promover a importação de ódios e terrorismo, em vez de exportar concórdia, resultante do convívio harmônico entre judeus e árabes, de que o país é exemplo”, relata, indiretamente, sobre a proposta de Bolsonaro de, a exemplo dos Estados Unidos, transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

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“O exemplo dos Estados Unidos parece fascinar o presidente eleito Jair Bolsonaro, mas ele tem que entender que o Brasil, por maior que possamos ser no continente, é periférico na geopolítica internacional”, afirma Merval, minimizando o papel do Brasil nas relações internacionais.

Ele também critica a decisão de desdenhar da parceria comercial comn a China, para privilegiar o comércio estadunidense. “Desdenhar da China, nosso principal parceiro comercial, afastar-se do Mercosul bruscamente, menosprezar a Argentina como parceira regional importante, tudo parece improvisado e ditado por uma política ideológica de que o próprio presidente eleito acusa os governos anteriores”.

Política externa ideológica
Miriam Leitão, que foi fortemente atacada por bolsonaristas nas redes sociais durante a campanha, afirma que “a transferência da sede da embaixada do Brasil para Jerusalém pode ter como efeito bumerangue a retaliação comercial dos árabes ao Brasil”. “Mas principalmente é ruim por significar um retrocesso no não alinhamento automático com os Estados Unidos, um dos avanços conseguidos na diplomacia dos últimos governos militares”.

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Sem deixar de lado as críticas ao alvo preferido – o PT -, Miriam diz que “o pior que pode nos acontecer é depois de termos saído de uma política externa ideológica de esquerda, irmos para outra ideológica de ultra-direita”. “Quando outros elementos, como manias e idiossincrasias do governo de plantão, entram nas decisões algo dá sempre errado”, conclui.

Poeta se falar menos
José Casado, editor especial do jornal, compara a diplomacia de Bolsonaro com os Estados Unidos com a relação de músicos brasileiros – como Astrud Gilberto (voz), Antonio Carlos Jobim (piano), Tião Neto (baixo), Milton Banana (bateria), João Gilberto (violão) – com colegas americanos, como Stan Getz, para levar a Bossa Nova aos Estados Unidos.

“Foi um dos grandes momentos da diplomacia brasileira: o disco ‘Getz/Gilberto’ abriu o mercado dos EUA e da Europa para a bossa nova. Bolsonaro não possui átomo da genialidade diplomática de Jobim, mas seria um poeta se falasse menos sobre política externa no seu mandato”.

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E complementa. “Em uma semana (lapso de tempo em que os seis de Nova York lapidaram um revolucionário Made in Brazil), Bolsonaro e equipe conseguiram semear tensões e incertezas sobre o futuro do Brasil com Argentina, Paraguai e Uruguai (sócios no Mercosul), China, Cuba, União Europeia, países árabes e muçulmanos”.

Casado termina com um conselhor. “Bolsonaro pode não gostar da melodia de Tom e preferir o punk-brega de Trump, mas deveria ouvir o conselho grátis do bilionário Warren Buffet, um conservador: ‘Se você está num buraco, a coisa mais importante a fazer é parar de cavar'”.

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