04 de janeiro de 2019, 14h01

Procurador da República, Hélio Telho culpa mulheres por déficit na Previdência

Pelo raciocínio de Telho, como a mulher vive mais e se aposenta mais cedo, ela "custa" mais aos cofres públicos, além de levar ao Estado um "problema conjugal": a dupla jornada de trabalho.

Reprodução

Procurador da República em Goiás, Hélio Telho culpou as mulheres, que vivem em média 5 anos a mais do que os homens e trazem o “problema” da dupla jornada de trabalho para o governo, pelo déficit na Previdência.

“Curiosamente, nenhum dos principais arautos da reforma da previdência (que é sim necessária, frise-se) teve a honestidade atuarial de apontar isso”, tuitou nesta quinta-feira (3) o procurador, que se define na rede social como “Esmeraldino, geek, cidadão crítico (às vezes ácido, mas sempre respeitoso)”, além de membro do MPF.

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Pelo raciocínio de Telho, como a mulher vive mais e se aposenta mais cedo, ela “custa” mais aos cofres públicos.

“Mulheres vivem 7 anos a mais que os homens e se aposentam 5 anos antes. São 12 anos, em média, recebendo aposentadoria, a mais que os homens. Por causa disso, em média, a mulher custa 50% a mais que o homem à previdência. Qualquer reforma séria precisa enfrentar isso”.

Já a questão da dupla jornada, segundo ele, deveria ser tratada como “um problema conjugal”. “A dupla jornada, invocada como justificativa, não é problema da previdência social. É problema conjugal, que não cabe à previdência resolver ou compensar”.

Sarcástico, o procurador já havia feito uma provocação às feministas em 2017, quando lançou uma enquete em seu twitter com a seguinte pergunta: “Gostaria de saber das feministas da minha TL o que pensam sobre mulher pagar menos que homem pelo ingresso da balada?”.

 

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