04 de outubro de 2018, 08h35

Professor de Yale e autor de livro sobre o assunto afirma que Bolsonaro usa táticas fascistas

Jason Stanley compara Trump a Bolsonaro, mas afirma: “o que distingue os dois é que o brasileiro se mostra mais favorável à violência”

Jason Stanley. Foto: Reprodução YouTube

O professor de Yale e filósofo americano Jason Stanley, autor do recém-lançado “How fascism works: the politics of us and them” (Como o fascismo funciona: as políticas do nós e eles), sem edição no Brasil, afirma que o presidenciável brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) usa mais táticas associadas ao fascismo do que o presidente americano Donald Trump.

Para Stanley, o que distingue os dois é que o brasileiro se mostra mais favorável à violência.

O filósofo estuda o fascismo a partir do aspecto da propaganda e da linguística. Ele questiona se Bolsonaro seria um líder democrático posto que o candidato faz declarações que se opõem à democracia, como afirmar que não reconhecerá resultado diferente de sua vitória —algo depois minimizado. “A única realidade que o fascista vê é a sua própria”, diz.

“O Bolsonaro é assustador porque ele é abertamente antidemocrático. Fala abertamente em prender e matar os adversários.”

De acordo com Stanley, não reconhecer o resultado das eleições é outro indício do fascismo em Bolsonaro. “O fascista tem a sua própria realidade. Trata-se apenas da vitória. Se eles não ganharem, por definição é uma fraude. A realidade é irrelevante, e claro que é exatamente o que Donald Trump faz. Ele também só se importa com resultados”, disse.

O professor diz que, para combater o fascismo, em primeiro lugar, é preciso reconhecer o fascismo. “O fascismo tem como alvo esquerdistas, progressistas, comunistas e minorias. Há a tendência a se sentir seguro se você não pertence a um desses grupos. Mas o fascismo vai atrás de você também, pois o líder fascista persegue até os próprios apoiadores para se manter no poder”, concluiu.

Leia a entrevista completa na Folha