26 de novembro de 2013, 16h55

Professora da Fatec é alvo de grupo que prega a “neutralidade” em sala de aula

Organização coordenada por membro do Instituto Millenium divulgou uma crítica à professora Cléo Tibiriçá por indicar "material didático com viés ideológico"

Organização coordenada por membro do Instituto Millenium divulgou uma crítica à professora Cléo Tibiriçá por indicar “material didático com viés ideológico” Por Redação Cléo Tibiriçá, professora da FATEC, foi acusada pelo articulista do Instituto Millenium Miguel Nagib (Wikimedia Commons) Coordenado pelo advogado e articulista do Instituto Millenium Miguel Nagib, o site Escola Sem Partido divulgou no dia 22 de novembro uma nota acusando uma professora da Faculdade de Tecnologia de São Paulo de doutrinação ideológica de seus alunos. Para o advogado, a professora Cléo Tibiriçá não deveria ter indicado um material didático com viés ideológico, acusando-a de desenvolver nos alunos...

Organização coordenada por membro do Instituto Millenium divulgou uma crítica à professora Cléo Tibiriçá por indicar “material didático com viés ideológico”

Por Redação

Cléo Tibiriçá, professora da FATEC, foi acusada pelo articulista do Instituto Millenium Miguel Nagib (Wikimedia Commons)

Coordenado pelo advogado e articulista do Instituto Millenium Miguel Nagib, o site Escola Sem Partido divulgou no dia 22 de novembro uma nota acusando uma professora da Faculdade de Tecnologia de São Paulo de doutrinação ideológica de seus alunos. Para o advogado, a professora Cléo Tibiriçá não deveria ter indicado um material didático com viés ideológico, acusando-a de desenvolver nos alunos uma aversão a tudo que não se identifique com a “visão esquerdista”.

Entre os autores recomendados pela docente estão o historiador Eric Hobsbawn, o linguista Marcos Bagno e o sociólogo Ruy Braga, além de uma canção de Chico Buarque e documentários sobre Milton Santos e a participação dos Estados Unidos no golpe militar.

“Não nos move nessa iniciativa nenhuma indisposição pessoal em relação à professora — que sequer conhecemos –, mas a convicção de que é necessário denunciar publicamente essa prática ilícita que é a doutrinação política e ideológica em sala de aula”, justifica-se Miguel Nagib na nota. O texto foi encaminhado ao coordenador do curso de Comércio Exterior da FATEC-Barueri, Givan Fortuoso, ao diretor da faculdade, Evandro Cleber da Silva, à Diretora Superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá, e ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia.

Site do Escola Sem Partido lista características que identificam o professor doutrinador

O ideal do Escola Sem Partido é o fim das aulas com “visão ideológica”, por meio da construção de uma aula pretensamente regida pela neutralidade e imparcialidade. O site da ONG republica textos de Luiz Felipe Pondé, coautor do livro Por Que Virei à Direita, e persegue professores que se identificam com o que chamam de “ideologia esquerdista”.

Em nota, a professora Cléo acusou o site de divulgação de correspondência eletrônica particular. Além disso, ela critica a postura autoritária do autor ao julgar seu método de ensino: “Dado que a questão me é dirigida como docente, e não como simples cidadã, quero salientar, antes de qualquer coisa, a ausência de legitimidade de seu blog para julgar conteúdos ministrados por mim ou por qualquer outro professor”.

A professora também reprova os objetivos da ONG, classificando as ameaças como tendenciosas e infundadas e mostrando o apoio do blog a quem sempre quis ditar os rumos do Brasil. Por fim, Cléo publica na nota o artigo 207 da Constituição Federal: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”