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04 de abril de 2019, 20h43

Professora manda estudante cortar cabelo alegando “fedor” e é demitida da PUC-MG

“Nossa senhora, vai trabalhar. Chega aqui de chinelo. Corta o cabelo, vê se lava, um fedor danado”, disse a professora se referindo a Caíque Belchior, que usa o cabelo "black power"

Foto: Caíque Belchior/Divulgação
Depois que um áudio contendo declarações racistas vazou e viralizou nas redes sociais, uma professora do curso de Medicina Veterinária da PUC de Minas Gerais foi demitida. Caíque Belchior Henrique, de 20 anos, é aluno do quarto período de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Negro, ele usa cabelo estilo black power. Durante uma aula de J.T.A., ele interrompeu para anunciar a realização do congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), na quarta-feira (28). Caíque revela que, quando deixou o local, os alunos que estavam na aula tinham gravado os comentários da professora: “Nossa senhora, vai trabalhar. Chega...

Depois que um áudio contendo declarações racistas vazou e viralizou nas redes sociais, uma professora do curso de Medicina Veterinária da PUC de Minas Gerais foi demitida.

Caíque Belchior Henrique, de 20 anos, é aluno do quarto período de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Negro, ele usa cabelo estilo black power.

Durante uma aula de J.T.A., ele interrompeu para anunciar a realização do congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), na quarta-feira (28).

Caíque revela que, quando deixou o local, os alunos que estavam na aula tinham gravado os comentários da professora: “Nossa senhora, vai trabalhar. Chega aqui de chinelo. Corta o cabelo, vê se lava, um fedor danado”, diz a gravação. Ela ainda disse um palavrão.

“Depois que eu saí da sala, ela falou o que foi gravado. Falou que eu precisava arrumar um emprego, cortar o cabelo e tomar um banho”, disse Caíque.

O estudante disse que a demissão foi “um ato mais do que justo”. Ele contou que recebeu apoio de muita gente. “Ocupamos a entrada do prédio da Medicina Veterinária e o coordenador do curso, no mesmo dia, conversou comigo”, disse.

Histórico

De acordo com Caíque, existem informações de que a professora tem um histórico de comentários semelhantes em sala de aula. “Agora, espero que sirva de exemplo para outros professores que pensam como ela, para que pensem duas vezes antes de dizer qualquer coisa. Já recebi mensagens de vários alunos falando que estão se sentindo mais seguros agora para não tolerar mais discursos de ódio e de preconceito dentro de sala de aula, proferidos pelos professores”, afirmou.

O estudante pretende tomar medidas judiciais contra a professora. Ele acrescentou que já havia sido vítima de racismo antes, mas de forma velada. “Escancarado desse jeito, essa foi a primeira vez”.

Com informações de O Tempo

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