14 de janeiro de 2018, 18h32

Programa “Nas Nuvens – Uma Fábrica de Hits”, revela segredos de gravações de discos

O formato do programa é um achado. O produtor Liminha fica ali, em frente à mesa de som, conversando com músicos que gravaram no seu lendário estúdio. E ele gravou alguns dos maiores sucessos da década de 80

O formato do programa é um achado. O produtor Liminha fica ali, em frente à mesa de som, conversando com músicos que gravaram no seu lendário estúdio. E ele gravou alguns dos maiores sucessos da década de 80

Por Julinho Bittencourt

Alguns dos grandes discos da década de 90 vinham com a inscrição na capa: “Gravado Nas Nuvens”. O enigma, logo resolvido, se referia ao lendário estúdio construído pelo produtor e ex-baixista dos Mutantes, Liminha, e por Gilberto Gil

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O local fica num casarão no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, e inverte completamente a lógica dos grandes estúdios construídos até então. É um ambiente espaçoso e descontraído, com grandes janelões voltados para o belo exterior, televisões e salas de estar. O estúdio foi pensado para que não parecesse um local de trabalho.

Além disso, quem pilota tudo é o próprio Liminha, produtor de quase 200 discos, entre eles alguns dos mais vendidos e consagrados da década de 80, sobretudo os grandes do rock nacional.

O canal por assinatura Arte 1 resolveu juntar a fome com a vontade de gravar e colocou no ar o programa “Nas Nuvens – Uma Fábrica de Hits”, onde Liminha fica ali, em frente à mesa de som, conversando com músicos que passaram por lá. O assunto, claro, se concentra em um dos discos gravados.

O primeiro programa foi com Lulu Santos, que teve vários de seus grandes sucessos, como “Tempos modernos”, “De repente Califórnia” e “Como uma onda” produzidos por Liminha antes da construção do estúdio. Depois dele, vieram Paula Toller (Kid Abelha), Fernanda Abreu, Tony Bellotto (Titãs), Bi Ribeiro e João Barone (Paralamas).

O programa é muito agradável, especialmente a quem é mais inteirado no negócio ou se interessa por como se faz um disco. Desfilam ali, na frente do vídeo, pessoas completamente apaixonadas pelo que fazem relembrando momentos de criação, revelando truques e, sobretudo, se divertindo muito com tudo.

Vez ou outra, Liminha aparece só diante da mesa e abre um canal ou outro para demonstrar trechos das gravações. Um deleite para os fãs de discos como “Selvagem?”, dos Paralamas, ou “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs.

Outro convidado que deve estar presente nos próximos programas é Sérgio Mendes, o único não roqueiro, que vai encerrar a temporada da série.

Tudo e lembrado em detalhes. Desde de como os músicos chegaram no estúdio com as suas canções. Alguns deles, como é o caso dos Paralamas, com o trabalho adiantado, os arranjos quase prontos. Outros, com a canção crua, só com a voz e o violão. Nos dois casos, a finalização de Liminha transforma tudo naquele que a gente conhece e aprendeu a gostar nas rádios.

O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, no Arte1, a partir das 20h30 e é reprisado aos sábados (14h15m), domingos (10h), terças (19h30m) e sextas (meio-dia).

Aos apaixonados por música, vale cada segundo.

Fotos: Divulgação Arte 1