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11 de fevereiro de 2015, 17h01

Propaganda de carnaval da Skol é alvo de críticas feministas

Para ativistas, nova campanha publicitária da marca de cerveja, que utiliza a frase "Esqueci o 'não' em casa", reforça a cultura de opressão à mulher

Para ativistas, nova campanha publicitária da marca de cerveja, que utiliza a frase “Esqueci o ‘não’ em casa”, reforça a cultura de opressão à mulher Por Jarid Arraes A nova campanha de carnaval da marca de cerveja Skol se tornou alvo de críticas feministas na internet. Em seus perfis pessoais nas redes sociais, a publicitária Pri Ferrari publicou fotos dela mesma acompanhada da jornalista Mila Alves em frente a um anúncio da marca. A peça da campanha publicitária da Skol, onde se lê “Esqueci o ‘não’ em casa”, foi pichada para dar lugar ao complemento “e trouxe o ‘nunca'”, como parte...

Para ativistas, nova campanha publicitária da marca de cerveja, que utiliza a frase “Esqueci o ‘não’ em casa”, reforça a cultura de opressão à mulher

Por Jarid Arraes

A nova campanha de carnaval da marca de cerveja Skol se tornou alvo de críticas feministas na internet. Em seus perfis pessoais nas redes sociais, a publicitária Pri Ferrari publicou fotos dela mesma acompanhada da jornalista Mila Alves em frente a um anúncio da marca. A peça da campanha publicitária da Skol, onde se lê “Esqueci o ‘não’ em casa”, foi pichada para dar lugar ao complemento “e trouxe o ‘nunca'”, como parte do protesto contra a propaganda. 

Ferrari explica que encontrou o anúncio em um ponto de ônibus e ficou chocada. “A peça e a campanha em si mostram claramente um conceito errado, de ‘topo depois pergunto’, de ‘não pode dizer não'”, afirma. Para ela, o carnaval exige das pessoas maior responsabilidade, para que digam “não” em diversas situações: “Não ao estupro, não a beber e dirigir, não ao sexo sem camisinha”, exemplifica.

Segundo Juliana de Faria, fundadora do Think Eva um núcleo de inteligência que atua junto às marcas e empresas em questões como a representatividade feminina e o respeito às mulheres na mídia –, a situação requer seriedade. “Entendemos a intenção da campanha em transmitir uma mensagem de liberdade, diversão e celebração. Porém, esse é apenas um jeito de enxergar a situação. Existem, sim, opressões, violências e pensamentos misóginos associados ao universo do carnaval e da cerveja. Então as críticas também são válidas. A intenção de libertar acaba incitando uma cultura opressora. E opressora para as mulheres, constante vítimas de violências – principalmente a sexual”, pontua.

Faria ainda chama atenção para o fato de que a sociedade não tem plena compreensão a respeito do que é consentimento. “Muitas vezes, ele [o consentimento] é embutido em algo, como uma saia curta ou simplesmente a presença da mulher num bloco de carnaval, numa balada. Por isso mensagens que diminuem o poder do ‘não’ são perigosas”. 

Pri Ferrari também relata que as mensagens enviadas para a marca Skol foram deletadas da página da empresa e questiona a responsabilidade de toda a equipe envolvida na criação da propaganda. “Não só alguém criou, como passou na mão de muita gente e ninguém problematizou a questão, isso é uma falta de respeito e de responsabilidade que se repete no mundo da publicidade”, protesta. A publicitária espera que mais pessoas percebam o equívoco e passem a reagir diante de acontecimentos similares.

Foto de capa: Reprodução

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