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30 de abril de 2019, 13h45

PSOL aciona Procuradoria contra cortes de verbas em universidades feitos pelo ministro da Educação

Abraham Weintraub determinou o corte de recursos na UnB, UFF, UFBA e outras 56 universidades federais por terem permitido que ocorressem atos políticos - classificados por ele como "balbúrdia" - em seus campi

Abraham Weintrab e Ricardo Vélez-Rodriguez, ao fundo (Divulgação/MEC)
O PSOL vai protocolar nesta terça-feira (30) pedido para a Procuradoria-Geral da República apurar eventual prática de improbidade administrativa do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que determinou o corte de pelo menos 30% dos recursos da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) por terem permitido que ocorressem atos políticos – classificados por ele como “balbúrdia” – em seus campi. Outras 56 instituições teriam sido atingidos, em menor escala, pelo contingenciamento. O PSOL também deve elaborar um projeto de decreto legislativo para suspender os cortes ordenados pelo MEC. “O governo está...

O PSOL vai protocolar nesta terça-feira (30) pedido para a Procuradoria-Geral da República apurar eventual prática de improbidade administrativa do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que determinou o corte de pelo menos 30% dos recursos da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) por terem permitido que ocorressem atos políticos – classificados por ele como “balbúrdia” – em seus campi.

Outras 56 instituições teriam sido atingidos, em menor escala, pelo contingenciamento. O PSOL também deve elaborar um projeto de decreto legislativo para suspender os cortes ordenados pelo MEC.

“O governo está jogando gasolina na fogueira. O anúncio de corte de 30% no orçamento das universidades levará milhares de estudantes e professores às ruas dia 15 próximo, dia nacional de luta em defesa da educação. Chega! Vamos mostrar que com educação não se brinca!”, tuitou Juliano Medeiros, presidente da sigla, que assina a petição.

Eventos políticos
Segundo Weintraub, universidades têm permitido que aconteçam em suas instalações eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas ao ambiente universitário. “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”, disse. Ele deu exemplos do que considera bagunça: “Sem-terra dentro do câmpus, gente pelada dentro do câmpus”.

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Em 2018, a UFF foi palco de um rumoroso “ato contra o fascismo”, na reta final da eleição presidencial. Já a UnB foi palco recentemente de debates com Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL).

“Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”, disse Weintrab em reportagem de Renata Agostini, na edição desta terça-feira (30) do jornal O Estado de S.Paulo.

Avaliação
O ministro ainda acusou UnB, UFBA e UFF de queda no desempenho. No entanto, elas se mantêm em destaque em avaliações internacionais. O ranking da publicação britânica Times Higher Education (THE), um dos principais em avaliação do ensino superior, mostra que Unb e UFBA tiveram melhor avaliação na última edição.

Na classificação das melhores da América Latina, a Unb passou da 19.ª posição, em 2017, para 16.ª no ano seguinte. A UFBA passou da 71.ª para a 30.ª posição. A UFF manteve o mesmo lugar, em 45.º. Segundo a publicação, as três se destacam pela boa avaliação em ensino e pesquisa. E Unb e UFBA aparecem entre as 400 melhores instituições do mundo em cursos da área da saúde.

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