05 de dezembro de 2018, 23h04

PT representa no MP contra empresas envolvidas no esquema de Whatsapp de Bolsonaro

Parlamentares petistas pedem a quebra do sigilo bancário, telefônico e telemático das empresas envolvidas no esquema de disparo de mensagens e fake news em massa no Whatsapp em favor de Bolsonaro com suposto dinheiro de caixa 2

Reprodução/Facebook

Deputados federais do PT protocolaram nesta quarta-feira (5), no Ministério Público Eleitoral (MPE), uma representação em que pedem a quebra de sigilo bancário, telefônico e telemático das empresas e pessoas físicas envolvidas no esquema de disparo de mensagens e fake news em massa no Whatsapp em favor do então candidato Jair Bolsonaro.

Assinada pelos deputados Paulo Pimenta (RS), Henrique Fontana (RS), Luizianne Lins (CE), Paulo Teixeira (SP) e Wadih Damous (RJ), a representação tem como base as denúncias feitas pela imprensa sobre um suposto esquema de caixa 2 entre algumas empresas e a campanha de Bolsonaro. Quando a primeira denúncia veio à tona, em outubro, através de uma reportagem da Folha de S. Paulo, o Whatsapp chegou a bloquear milhares de contas que estariam envolvidas no esquema de disseminação de fake news. Mais recentemente, uma nova reportagem do mesmo jornal denunciou que a campanha do capitão da reserva e as empresas envolvidas utilizaram o CPF de idosos para o registro de chips.

“Pela gravidade da prática verificada, há necessidade de realização urgente de investigações”, escreveram os parlamentares na representação, que cita ainda diversos crimes tipificados no Código Eleitoral e na legislação penal. De acordo com os petistas, “o esquema criminoso tinha o propósito de manipular a opinião pública com perfis falsos, a fim de sabotar o debate na esfera pública para direcionamento massificado de conteúdos favoráveis” ao então candidato.

Uma das empresas que de acordo com as reportagens estaria envolvida no esquema é a agência Yacows, subcontratada pela empresa AM4, que fez a campanha de Bolsonaro.  Outra empresas citadas são a Deep Marketing e a Kiplix, de São Paulo. A campanha de Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral ter gasto R$ 650 mil com a Kiplix, mas os parlamentares do PT suspeitam que a cifra não corresponde à realidade, pois outras candidaturas usaram serviços semelhantes e pagaram quase quatro vezes mais. A tese é que as empresas tenham sido pagas via caixa 2.

Nesta quarta-feira (4), a bancada do PT na Câmara sinalizou que protocolará um pedido de abertura de CPI para investigar o esquema de disparo de mensagens na campanha do presidente eleito.

 

*Com informações da bancada do PT na Câmara