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17 de Maio de 2014, 14h38

Banda Putinhas Aborteiras recebe notificação do Partido Progressista

Vereadores de Porto Alegre protocolaram um requerimento de moção de repúdio à TVE-RS por ter apresentado o grupo e divulgado uma música com palavrões no programa Radar

Vereadores de Porto Alegre protocolaram um requerimento de moção de repúdio à TVE-RS por ter apresentado o grupo e divulgado uma música com palavrões no programa Radar

Por Redação

A bancada do Partido Progressista (PP) na Câmara de Vereadores de Porto Alegre enviou uma notificação à banda Putinhas Aborteiras. No dia 14, os vereadores protocolaram um requerimento de moção de repúdio à Televisão Educativa do Estado (TVE) do Rio Grande do Sul por ter apresentado o grupo e divulgado uma música com palavrões no programa Radar. O requerimento é assinado por Mônica Leal e Guilherme Socias Villela.

O canal educativo é criticado pela bancada por divulgar um vídeo “atentatório à moral e aos bons costumes e ofensivo à figura do Papa Francisco”. Segundo os vereadores, a banda traz “linguajar chulo, de baixo nível” e por isso possui caráter “antieducativo”. Sendo assim, a emissora estatal deixou de cumprir seu papel.

Coincidentemente ou não, os dois funcionários responsáveis por divulgar o vídeo da apresentação no Youtube foram demitidos da TVE. Ambos trabalhavam na área de marketing e redes sociais e já estavam sob avaliação devido a erros anteriores. Ademais, o vídeo das Putinhas Aborteiras já foi tirado do ar.

Na página oficial do Facebook, as integrantes do grupo se manifestaram a respeito do assédio que estão sofrendo após divulgação do vídeo. “Como feministas, como mulheres que se recusam a seguir padrões opressores de beleza, não nos espanta que nos chamem de feias ou indesejáveis para os homens, que apontem para nossa possível gordura ou ausência de depilação. Seguimos afirmando nosso direito à livre gestão de nossos corpos, a partir de nossas próprias vontades”, publicaram.

O grupo ressaltou que a exibição da apresentação foi feita durante a madrugada – e não em horário nobre -, devido ao conteúdo das letras. “Ainda é um tabu falar sobre aborto, embora a letra que cantamos no Radar seja uma reivindicação do movimento feminista há décadas”, afirmaram, em referência ao desejo de direito ao corpo.

(Foto de capa: Reprodução/Facebook)