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24 de fevereiro de 2018, 18h33

“Quero levar educação, lazer e cultura para crianças negras e periféricas”, diz Vitória Sant’Anna

Aos 22 anos, a estudante de pedagogia de Porto Alegre promoveu uma campanha com o objetivo de arrecadar fundos e levar 210 crianças ao cinema, para assistir “Pantera Negra”

Vitória (segunda à esquerda) junto com as colegas que a ajudaram a organizar a atividade: “Quero dar continuidade a esse projeto”, disse – Foto: Arquivo Pessoal Unir a vocação profissional com a necessidade de ajudar crianças negras da periferia a terem acesso à cultura, lazer e educação foi o que moveu a estudante de pedagogia Vitória Sant’Anna. Ela promoveu uma campanha diferente no Facebook: o objetivo foi arrecadar fundos para levar ao cinema o maior número de garotos e garotas de sua comunidade, em Porto Alegre. O filme? “Pantera Negra”. “Escolhi este por ser o primeiro com um elenco majoritariamente...

Vitória (segunda à esquerda) junto com as colegas que a ajudaram a organizar a atividade: “Quero dar continuidade a esse projeto”, disse – Foto: Arquivo Pessoal

Unir a vocação profissional com a necessidade de ajudar crianças negras da periferia a terem acesso à cultura, lazer e educação foi o que moveu a estudante de pedagogia Vitória Sant’Anna. Ela promoveu uma campanha diferente no Facebook: o objetivo foi arrecadar fundos para levar ao cinema o maior número de garotos e garotas de sua comunidade, em Porto Alegre. O filme? “Pantera Negra”. “Escolhi este por ser o primeiro com um elenco majoritariamente negro. Os personagens são negros e são super-heróis, fortes, diferentes do que estamos acostumados a assistir”. Mesmo com a censura imposta inicialmente pelo Facebook, Vitória não se intimidou e conseguiu dinheiro para levar, no próximo dia 27, 210 crianças ao cinema, com direito a 3D, transporte, pipoca e refrigerante.

Fórum – Como e por que surgiu a ideia de promover essa campanha?

Vitória Sant’Anna – Tive a ideia logo depois que assisti ao filme. Quando saí da sessão foi imediato. Deixei a sala de cinema com um sentimento muito forte de querer levar as crianças da minha comunidade, em sua maioria negras, para ver o filme, pois elas iam amar ver e se sentir representadas ao perceber que o elenco do filme é todo de negros. Eu sempre achei o cinema uma ferramenta importante para a educação. Já projetei filmes aqui na comunidade e quando assisti ao “Pantera Negra” pensei: É isso! Esse filme eu quero que eles assistam. Projetar um filme é interessante, mas não tem aquela emoção de ir ao cinema no shopping, que é um lugar que os exclui, jovens negros periféricos. Com a campanha, pretendi proporcionar a eles esse momento de lazer que, para a gente, é comum, mas para eles, não.

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Fórum – A adesão foi satisfatória?

Vitória Sant’Anna – A adesão foi maior que eu esperava, inicialmente seriam 30 crianças. Em seis dias conseguimos comprar ingressos para 200.

Fórum – Esta foi a primeira campanha desse tipo que você promove, usando as redes sociais?

Vitória Sant’Anna – Foi a primeira campanha de financiamento público, mas já fiz outras ações na minha comunidade, como projetar filmes para o pessoal, por exemplo.

Fórum – Depois do sucesso da iniciativa, você pretende fazer outras campanhas com essas características?

Vitória Sant’Anna – Pretendo promover outras, sim. Quero dar continuidade a esse projeto, que tem como objetivo levar educação, lazer e cultura para crianças negras e periféricas. Iremos dar continuidade, sim.

Fórum – Como se sentiu ao tomar conhecimento da censura à campanha imposta pelo Facebook?

Vitória Sant’Anna – Primeiramente, fiquei chocada com a censura, não acreditei que o post inicial da campanha tinha sido excluído, mas já esperava, devido aos ataques que recebi nas redes, por meio dos comentários, que me acusavam de ser racista. Fiz outro post dizendo que a campanha iria continuar e fui bloqueada por 24 horas. O Facebook se retratou depois, dizendo que tinha sido um erro.

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Fórum – Por que escolheu levar as crianças especificamente para assistir ao filme “Pantera Negra”?

Vitória Sant’Anna – Escolhi este filme por ser o primeiro com um elenco majoritariamente negro. Os personagens são negros e são super-heróis, fortes, diferentes do que estamos acostumados a assistir. E não se trata apenas de representatividade, mas também sobre acesso à cultura e ao lazer, que todas as crianças têm direito.

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